Bruno relutou um pouco, mas acabou aceitando o convite do amigo e sentou-se. Os dois ficaram em silêncio. Julio não sabia o que falar. Ficou pensando em algo não idiota.
- Você gostava mesmo dela…
- Gostava!? – deu de ombros.
- Ela era bonita… muito bonita…
- Quer parar?
Julio não sabia realmente o que dizer. Queria que o amigo se abrisse, confessasse para sentir-se melhor. Iniciou um monólogo, falando do relacionamento dele com Ana. Pensou que poderia ajudar. Bruno acabou levantando-se.
- Ei! Espere…
- Não quero saber do seu relacionamento… não neste momento.
- Então me diga o que devo fazer para te ajudar.
- Maria foi uma garota muito especial em minha vida. Passamos bons momentos juntos, mas não deu. Chegou o dia em que tudo acabou. Tudo acaba! Relacionamentos têm um tempo de vida inimaginável: quando pensamos que vai ser eterno, está próximo do fim.
- Mas por que terminaram?
- Eu a amava. Não tenho vergonha de dizer isso. Não tenho, não tenho… Mas enquanto eu queria alguém que enchesse meus olhos e meu coração, ela só queria alguém que a enchesse de presentes e conforto.
- Não diga isso!
- Lembra-se quando fui demitido? Passei um aperto, tive que vender coisas para cobrir compromissos, tomar empréstimos… Ela ficou do meu lado? Péssimos cinco meses. Eu na luta, suando a camisa e ela… com… com… Até que eu descobri e terminamos.
- Oh! Não sabia disso…
- É. Mas tudo bem, eu já havia traído ela também. Mas eu estava bêbado.
- Mas isso não é desculpa…
- Eu sei. Fazemos muita besteira. Hoje me arrependo amargamente. Julio, hoje eu quero alguém que me complete. Esteja sempre comigo, seja um amor, compreensiva… É pedir muito?
- Príncipe encantado não é só para mulheres, não é mesmo?
Bruno não agüentou. Deu uma imensa gargalhada. Julio não entendeu. Ficou sem jeito e irritado.
- Eu não quero um príncipe!
Julio esboçou um sorriso sem graça. Fora mal interpretado.
- Eu também não quero…
Bruno não conseguiu parar de rir. Julio não ficou ali para ser ridicularizado. Levantou-se e foi embora.
- Varão, volte! – rindo mais alto.
- Vou para casa. Hoje foi cansativo.
Ana ainda gostava de Julio. E Fernanda havia percebido sua reação durante a visita que ele fizera com Bruno.
- Por que não explica a ele toda a situação?
- De novo? Ele já me perdoou. Mas disse que agora… ou nunca mais.
- Mas você ainda o ama?
- Sim… não… Que diferença faz? Eu tenho de esquecê-lo.
- Tente reconquistá-lo.
Ana não queria aquela conversa. Fernanda estava casada, o marido a amava, tudo era perfeito e muito lindo. Um conto romântico baiano. Extremamente melódico. Era uma realidade absurdamente diferente. Achava que não sairia nada de interessante dali. Estava enganada.
- Quando conheci meu marido, ele namorava outra menina. Eu me apaixonei de imediato. Como se meu coração tivesse pulado. Creio que meus olhos me denunciaram. Na época nem éramos cristãos. Trabalhávamos no mesmo setor. Quando soube que ele havia terminado o relacionamento, foi como se meu coração reacendesse a paixão…
- Para quê esse sorriso no rosto?
- Não consigo falar do meu amor sem sorrir…
- Sim. Adiante para a moral da história… – impaciente.
- Eu fiz com que ele me notasse. Conquistei-o, com sabedoria.
- Mas eu fiz uma grande besteira… Acha que consigo?
- Só saberá tentando…
O que Ana deve fazer?
1) Tomar a iniciativa e tentar reconquistar Julio?
2) Descansar e esperar por ele?
3) Encarar que não pode mais tê-lo e desistir?
Até segunda-feira.