Jantar em família
Por Mateus Modesto | Publicado em Casa de Davi | 13/08/2008
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Os cinco estavam reunidos para o jantar. Deram as mãos e Davi, o pai, começou a oração, agradecendo a Deus pelo dia maravilhoso e pela fartura em sua mesa. Terminada, como de costume, Paulo contou uma piada. Apenas ele riu – como sempre.
Rebeca servia a comida. Davi, a bebida. Ester a menorzinha da casa. E, de longe, a mais faminta. Seus pais diziam que seu estômago era desproporcional com sua altura. Por um tempo ela achou que fosse verdade. Chorava sozinha no seu quarto imaginando um órgão que suplantava o espaço de todos os outros. Até o dia que sua mãe sentou-se com ela e explicou a brincadeira – isso foi quando ela tinha sete anos, há três anos.
- José, por que está comendo tão depressa? Mastigue direito.
- Mãe… vai começar um… programa na televisão… daqui a pouco. – falou de boca cheia.
- Coma devagar. Ou ficará um mês sem computador.
Não deu ouvidos. Antes que terminasse uma garfada, engasgou-se com um pedaço de carne. Ficou desesperado. Seus olhos se encheram de água e seu rosto ficou avermelhado. Seus irmãos ficaram atônitos. Davi levantou-se e segurou-lhe na altura do diafragma, apertando-o. O alívio foi imediato.
- Os pais sabem o que dizem, José – comentou Paulo.
Ele ficou refletindo enquanto comia. Agora, mais devagar. Ficou tão constrangido que não conseguia olhar para seus pais. Não era a primeira vez que desobedecia a um conselho. E em todos os momentos, sempre lhe acontecia algo terrível. Como da vez que perdeu em uma prova ou deixou de ganhar um bom presente de aniversário.
- Você é burro. – disse Ester.
- Burro não. Tolo. “Aquele que odeia a repreensão é tolo”. – retificou-lhe a mãe.
- “Mas todo que ama a disciplina ama o conhecimento”. – completou Davi.
Paulo nada comentou. Sabia que estava errado – e ficou com raiva. Mais uma vez. Terminou sua refeição em silêncio, enquanto os outros riam e contavam sobre o dia.
Havia uma regra na casa de Davi: ninguém podia levantar-se da mesa se houvesse alguém ainda comendo. Mas Paulo desobedeceu-a. Como punição, teve que lavar os pratos, que seria de sua mãe. E por toda a semana.
- Mas pai…
- Quer mais? Que bom, meu filho. Traga-me um copo d’água, por favor.
Ele respirou fundo e não falou mais nada. Poderia complicar-se.
Todos foram para o quarto, ler a bíblia. Estavam lendo a história de Gideão, relatada no livro de Juízes. Quando Paulo terminou de lavar e arrumar a cozinha, passou para o seu quarto. Davi o chamou. E ficou em silêncio, esperando que ele lhe dissesse a lição daquela noite.
- Perdoem-me. Reconheço que errei e fui burro.
- Tolo! – corrigiu-lhe Ester.
- Ou isso…

Como é bom ler crônicas como essas. Serei frequentador assíduo desse site! =D
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