Trabalho em grupo

Por Mateus Modesto | Publicado em Casa de Davi | 20/08/2008

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   Quando Davi chegou do trabalho, testemunhou uma briga entre Ester e José pela televisão. Enquanto a menina queria ver um DVD do Diante do Trono – para aprender a dançar –, o menino queria jogar em seu vídeo-game. Paulo estava sentado no sofá, lendo.

   O pai observou todo o desenrolar da cena e nada fez, esperando uma reação de Paulo. Tanta zoada e ele ali, concentrado, lendo. Davi deu um sorriso e parou com a festa das crianças.

 

- Pronto! Os dois venceram. Direto para o quarto copiar o Salmo 119 – os 50 primeiros versículos. E se houver uma palavra mal escrita, vai refazer. Vamos lá.

- Não, pai… – choramingou José.

- Então quer copiar o livro de Gênesis?

 

   Os dois correram para o quarto, a contragosto. Mas Davi estava mesmo interessado em Paulo. Já era noite e ele estudando. Ele não fazia isto à noite. Preferia ouvir música ou qualquer outra coisa. Ler, só quando houvesse sol. Coçou a barba e foi tomar um banho.

   Rebeca chegou e encontrou Paulo sentado no sofá. Assustou-se ao ver o filho estudando. Foi direto para o quarto, sem dar uma palavra. Conversou com o marido, alegre. Davi se disse receoso, imaginando alguma trama do filho. Mas depois pediu perdão a Deus, por desconfiar do filho.

   Dirigiu-se até ele e o chamou. Não respondeu. Novamente. Nada. Tirou, delicadamente, o livro de sua frente. Paulo estava com fones no ouvido, louvando, e com os olhos fechados. Não percebeu seu pai. Davi olhou para Rebeca, que estava no corredor, abriu um sorriso e balançou a cabeça.

   Na mesa da cozinha, Ester e José apareceram com duas folhas de papel. Era o Salmo 119 escrito. Havia o nome dos dois. Fizeram um trabalho em grupo. Davi admirou-se.

 

- O senhor não disse que não podíamos fazer isso.

 

   Ele não comentou nada. Ficou de boca aberta. Rebeca abriu um sorriso orgulhoso com a sabedoria dos dois pequeninos. De tão feliz, quase chorou. Mas Davi encontrou algumas palavras ilegíveis.

 

- Esta letra é de Ester.

- Mas eu vou refazer.

- Por quê?

- Decidimos que, se alguém escrevesse errado, o outro seria pena… pe…

- Penalizado.

- Isso.

 

   Agora foi a vez de o pai abrir um sorriso. E não permitiu que refizessem. Percebeu que os dois estavam amadurecendo. De tão feliz, chorou.

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