No blog de Juca Kfouri de hoje está um texto escrito pelo excelente escritor Luis Fernando Veríssimo, publicado no O Globo.
Veríssimo reafirma o pensamento de Juca Kfouri, ao acreditar que Deus não deve estar no futebol. Por motivos até compreensíveis, mas errôneos.
Novamente, não colocarei todo o texto do escritor aqui no blog. Completo, basta acessar aqui.
O deus das trincheiras
No “Globo” de hoje
Por LUÍS FERNANDO VERÍSSIMODizem que na Primeira Guerra Mundial, durante as tréguas de Natal, de uma trincheira se podiam ouvir as comemorações na trincheira inimiga.
Nos dois lados cantavam hinos cristãos e havia sermões e imprecações a Deus, que era o mesmo para os dois lados, mesmo que as religiões não fossem as mesmas.
Os capelães militares sempre tiveram a dura tarefa de convencer as tropas e a si próprios de que o Deus a que rezavam lhes daria a vitória.
Já que não podiam dizer que cada lado tinha o seu Deus e o deles era mais forte, inferiam que o Deus invocado era único, mas tinha seus gostos, e os preferia.
Deus torcia por eles, não importava o que dissessem os capelães do inimigo.
Não existem capelães com o mesmo problema no futebol, mas está implícita em toda mobilização de fé religiosa antes do jogo um pedido para que Deus favoreça um lado e não ouça o outro.
E em todo agradecimento para o alto depois de um gol ou de uma vitória, e em toda frase de exaltação a Jesus impressa numa camiseta, está implícito um reconhecimento da parcialidade de Deus.
Deus deveria ser banido dos campos de batalha para não se comprometer com a pior das atividades humanas, agravada pela hipocrisia, e proibido de entrar em campo de futebol para não arriscar sua reputação de isenção e fair-play.
[...]
O que há com o futebol? Não é de hoje que vemos jogadores levantando aos mãos e dando “graças a Deus”. Mas é de hoje que vemos Jesus Cristo estampado em camisetas. Isso incomoda tanto assim? Sim.
Entre jogadores que professam a fé no Senhor, está Kaká (Real Madri), Hernanes (São Paulo), Lúcio (Inter de Milão), Lima e Alex Terra (Bahia), Roberto Brum (Santos), Fábio (Cruzeiro), Carlinhos Bala (Náutico).
Um dia veremos um time de futebol no centro da vontade de Deus. Esse clube derrotará gigantes e vencerá um torneio que muitos criam não poder conquistar. Tudo para que o Senhor seja glorificado. E Ele será!
Agora, sobre a parcialidade de Deus, podemos testificar na bíblia. Nela, conhecemos guerras entre o povo de Israel e os amalequitas, moabitas e filisteus. O Deus de Israel é o Deus Criador. O único. Mas os outros povos acreditavam que o deus deles era verdadeiro. E não é. Sempre que o Senhor estava à frente da batalha, Israel vencia.
Porém, muitas coisas que cristãos fazem, Deus não abençoa. Por quê? Porque não é da vontade Dele, porque está fora dos mandamentos Dele, porque é uma atitude errada… são inúmeras razões. Exemplo foi quando um dos discípulos cortou a orelha do soldado que prendia Jesus. Ele, imediamente, repreendeu-o. (Leia em Mateus 26:47-53)
Mas há o caso em que dos dois lados há cristão. E aí? Deus pode dar a vitória a qualquer um, desde que seu nome seja exaltado. Precisamos entender que o Senhor faz aquilo que lhe apraz. As conquistas são importantes, contudo, melhor é estar em Cristo.