Pequena Thainá
Por Mateus Modesto | Publicado em Crônicas | 09/12/2009
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O seu nome é Thainá. Ele sempre a chamava de Thaís. A primeira vez fora por esquecimento, mas as demais era para ouvir sua reação, sempre a mesma: ”É Thainá!”.
Ela tem apenas seis anos. Brinca e se diverte o tempo todo. Chora quando cai e sorri quando caem. É gordinha, corre engraçado e não sabe pular - nem mesmo da cadeira. Come e divide sua comida, mas nunca seu iogurte ou suco – ensinamento dos pais.
Certo dia, ela brincava com uma turma de dez crianças de pique-esconde na escola. Das primeiras vezes, foi encontrada fácil, fácil. Mas agora queria se esconder bem escondidinha.
Todos correram e acharam um canto. Ela ficou na espera, para que ninguém a visse. E realmente ninguém a viu.
E lá vinha a menininha, depois de contar até 30. Encontrou uma, duas, quatro, seis, oito crianças em poucos segundos. Mais uma e uma e uma e uma e uma… Só faltava Thainá. E nada de Thainá.
Sobe escada, desce escada, entra em sala, sai de sala, entra em banheiro, sai de banheiro… Não havia quem soubesse de seu paradeiro. A irmã e as primas estavam preocupadas. Chegou a perguntar ao porteiro se ela tinha ido embora.
- Não, não vi passar ninguém aqui. – disse lendo o jornal.
- O senhor nem está olhando o portão! - questionou um menino.
- Eu vejo com os ouvidos.
- Oxe! – arregalou os olhos.
O menino ficou confuso. “Como ele vê com os ouvidos???!!”
A questão era que ninguém encontrava Thainá. Então, vai a irmã chamar o rapaz da secretaria, aquele que só a chamava pelo nome errado.
- Quem é Thainá?
- A irmã dela.
- A irmã dela?
- Sim. Uma pequeninha, das bochecha grande, do sapato amarelo…
- Ah! Sim, sim… ela sumiu?
- É. A gente brincava…
E contou toda a história. Nos mínimos detalhes. E em três versões distintas.
E lá foi o rapaz da secretaria. Olha em sala, em banheiro, na cozinha, no parquinho, nos matos… nada. Ficou intrigado. Mas sabia que ela apareceria em instantes.
Foi saindo das salas e passando pelo corredor quando avistou, no alto da escada do lado de fora, uma mãe gritando pelos seus filhos. E justamente a mãe de Thainá.
A irmã e as primas correram para botar os sapatos e arrumar as mochilas, esquecendo-se da sumida Thainá.
- Ei! E sua irmã? – gritou o rapaz.
- Iiiih! É mesmo!
- Thaíiiis, sua mãe está indo embora! – ele havia esquecido o nome da pequena.
Segundos depois, ouve-se uma voz bem irritada saindo em meio ao quartinho da limpeza:
- É Thainá!

HAuhAUhuAhuAH rapaaaz!!! já tava com saudades de suas crônicas… =D
Muito boa! Vou mandar pra Mário Pratas