O Casamento – Parte IV

Por Mateus Modesto | Publicado em Capítulos | 08/06/2010

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Raimundo estava sozinho. Não apenas em relação à falta de alguém em sua casa, mas psicologicamente. Ele não tinha ninguém para se confessar, expressar seus sentimentos, a angústia ao “perder” Vivian. Chorava copiosamente.

Os pais de Vivian estranharam a volta dela para casa. E ainda mais com a explicação.

- Entendo que você quer casar, mas… um ultimato?
- É, mãe. Se não for desse jeito… Ele não quer casar, fica lembrando os insucessos da família.
- Então, presumo, que procurará outro namorado.
- Espero, sinceramente, que não, pai. Eu o amo. Mas não quero viver mais assim.
- A vida é sua, Vivian. A vida é sua…

O dia da viagem chegou. Vivian não havia falado com Raimundo nos últimos cinco dias. Estava aflita, nervosa, ansiosa. Porém, entendia que era o melhor para os dois. Sabia que um tempo longe, em outra cidade, faria bem a ela. E, imaginava, ele teria tempo para pensar sobre o casamento.

A estada em Belo Horizonte estava sendo agradável. E, com a dinâmica dos negócios, preocupara-se com o relacionamento apenas na primeira noite. Era um momento que necessitava, principalmente como profissional.

Raimundo continuava reflexivo. Estava em transição de pensamento. Permanecer com o não-casamento significava o fim do relacionamento com seu grande amor. Mas ainda tinha em mente que o matrimônio é uma instituição falida. Só pensava em sua família, na tristeza e discussão do divórcio, na separação de bens, na briga na Justiça. Ele não queria viver isso com Vivian. Queria tê-la, entretanto, acreditava que o casamento acabaria, cedo ou tarde, com a relação dos dois.

Raimundo chegou a contatar os amigos. Todos falavam que não era uma boa idéia ceder aos caprichos de Vivian e, principalmente, casar.

- Se você casar, ela vai montar em você.
- É, cara! Ela vai pedir o casamento, depois o afastamento dos seus amigos, restrição com as amigas… Quando se der conta, estará sozinho em uma ilha.
- Não faça isso. Enrole-a mais uns meses. Ela esquecerá. Tenho certeza.
- Meu amigo, eu entendo disso. Já tive dois casamentos. Cinco anos com uma, três com outra. Oito anos de minha vida desperdiçados. De bom mesmo só o sexo. O resto é resto.
- E sexo a gente pode ter com qualquer mulher. É o que não falta.

Os amigos riam. E brindavam.

Apesar do sorriso, Raimundo estava triste. Sabia que os amigos não eram bons conselheiros. Eram pessoas vazias, sem perspectiva, egoístas.

- Alô!
- Quem fala?
- Raimundo, namorado de Vivian.
- Oi… Algum problema? – surpreendeu-se com o telefonema.
- Eu… eu preciso conversar. A respeito de Vivian. Eu não tenho com quem me abrir. Acho que você é a pessoa certa. Quando posso te encontrar, Teresa?

Comentários (1)

Da série “A vida como ela é” =D
Já tinha tempo que não lia suas boas escritas assim ;-)

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