O Casamento – Parte XII
Por Mateus Modesto | Publicado em Capítulos | 03/08/2010
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Vivian saiu da casa de Raimundo aos prantos. Andou alguns metros até se perder. Pegou o primeiro táxi que passou e foi direto para a casa da prima, Teresa. Na verdade, ela deu o endereço da prima como se fosse sua casa.
Ao chegar a casa de Teresa, ficou parada por alguns instantes à porta. Pensava consigo o que havia acontecido. Entre lágrimas, lembrava do dia que recebeu a ligação da amiga sobre o encontro de Raimundo com uma mulher, o beijo em Marcos como resposta, a volta e o contato com Raimundo, e como ele se comportara minutos antes. Antes que decidisse ir embora, sua prima abriu a porta.
- Vivian? Que faz aqui? E que lágrimas são essas?
Ela apenas a abraçou.
- O que houve? O que houve?
Não obteve resposta.
- Vamos. Entre.
Vivian foi ao banheiro lavar o rosto. Bebeu um pouco de água com açúcar e se deitou no sofá. Teresa tirou-lhe os sapatos e tornou a fazer perguntas. A prima, porém, não respondia.
Depois de bater a porta, Raimundo ficou sentado no sofá, pensando. E foram muitos os seus pensamentos: desde a conversa de casar até o acontecido há poucos instantes. “Ela me enganou? O que aconteceu? Como fui ingênuo!”. O telefone toca.
- Alô?
- Ray? De bobeira em casa? Estou passando para sairmos.
- Não estou muito a fim…
- Passo daqui a cinco, quatro, três…
Uma buzina de carro tocou. Raimundo não queria abrir.
- Ray! Sabemos que está aí!
- Ray! Abre! Somos nós!
Raimundo abriu a porta com um sorriso forçado. Deu a mão. Ainda estava muito abatido. Realmente não queria sair.
Depois de alguns minutos de conversa, os amigos decidiram fazer uma festinha na casa dele. Saíram para comprar bebida e retornaram pouco tempo depois.
- Eae, soube que Vivian está com outro rapaz.
- E a história de casar?
- Pelo visto não haverá, não é, Ray?
- É. Pelo visto…
- Não fique triste. Mulher é o que não vai faltar na sua mão, se depender de mim… de nós!
- É!!!
Os amigos tentavam animá-lo, mas ele queria uma conversa franca, madura. Resolver uma frustração com mulher e bebida não seria a melhor solução. Ele apenas prorrogaria os sentimentos para outro momento. O que Raimundo precisava era desabafar. Depois, esquecer pouco a pouco.
Enquanto os amigos bebiam, ouviam música e comiam o jantar, ele se resguardou no quarto. Trancou a porta e se ajoelhou no chão.
