No fim do dia

Por Mateus Modesto | Publicado em Crônicas | 04/08/2011

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Era uma noite especial. Não digo apenas pelo luar, estrelas e o frio agradável. Não pelo novo corte de cabelo ou pelo perfume importado recém-comprado. Mas pela companhia: enfim ela havia aceitado seu convite.

A reserva no mais belo restaurante da cidade fora feita com antecedência de um mês. (Mesmo sem ela ter dado o aceite). O pedido pelas chaves do carro ao pai, dois meses. A roupa que usaria no dia, comprada há cinco meses. O desejo de sair com ela, nem ele mesmo sabe precisar. Mas o dia havia chegado.

No horário marcado, com atraso pontual e estratégico de 15 minutos, lá estava ele. Saíram às 20h50 – trinta e cinco minutos dela. Com o discurso afiado, o que ele poderia ganhar era o sorriso azulado - pelo aparelho -, os tapinhas no ar e as mexidas constantes no cabelo. Ponto para ele.

O caminho até o restaurante não foi dos melhores. O calor causado pelos vidros fechados, fruto do medo de bagunçar os cabelos com o vento, e o efeito da batatinha do almoço provocaram certa desconfiança nela. Ponto negativo. A parte boa foi o trecho a pé: lindas e enormes árvores, uma pequena cascata à esquerda e o jardim bem cuidado da praça. E, claro, o momento em que ele arrancou e entregou uma rosa vermelha.

No restaurante foi perfeito. A entrada, o prato principal e a sobremesa não deixaram dúvidas da qualidade do local. A conversa também foi agradável. Nada de soberba ou beijos roubados. Atenção e humildade predominaram! O sentido mais aguçado foi a audição – depois do paladar, confesso. Risos comedidos, boa mastigação e falar pontual e no nível adequado. Nem parecia ser ele.

Mas, para infelicidade dele, e falo isso com autoridade, a conta lhe foi entregue. Como em um filme de suspense, em seu ápice, o valor foi revelado. Impossível não ter notado o olhar assombrado. E a respiração longa. Ela nada comentou. Nem insinuou querer dividir a conta. Ele retirou a carteira, o cartão, pagou, agradeceu o atendimento com um sorriso e se levantou.

O caminho até o carro foi silencioso – creio que fazia as contas em sua cabeça. O caminho até a casa dela foi constrangedor: rápidas e desinteressantes conversas. O caminho até sua casa foi reflexivo: “Será que me deixariam lavar os pratos? Ou pagar com vale?”. No fim do dia, havia um enorme vazio em seu bolso.

Comentários (2)

Planeja, planeja, mas sempre falta algo! rsrs

Aêêêêêê… Finalmente…
Como sempre, escreveu muito bem… Lembrei de mim na pindaíba da faculdade…

Só falta mudar esse anti-spam, pois não sou muito bom em matemática…

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