Perigo das cachoeiras
Por Mateus Modesto | Publicado em Aventura | 26/02/2009
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Ontem fomos em uma cachoeira em Itaitu, povoado de Jacobina, Bahia. Um terço do caminho dá para ser feito de carro. O resto é a pé mesmo, subindo serra, passando por mata fechada e despenhadeiros. Mas o fim compensa.
Resolvi criar um diálogo entre o guia e a minha irmã – poderia ser qualquer outra mulher. Antes de encararmos o percurso, ele nos alerta:
- Esta não será uma caminhada tranquila. Passaremos pelo mato, pela mata fechada, com enormes árvores e um cheiro de terra molhada constante. Subiremos a serra, passando por trilhas em despenhadeiros, onde qualquer vacilo pode ser fatal. O medo toma conta, delírios, o cansaço é inevitável. Tensão do início ao fim. Suas pernas vão ficar inchadas. Seus pés, calejados. Sua garganta ficará seca. Vocês vão pedir água. Muita água. Os espinhos e troncos de árvores arranharão suas pernas. Haverá plantas que poderão causar alergia. Vocês ficarão tomados de coceira, pele vermelha, comendo sua paciência. E, quando chegarem, se deliciarão em geladas águas. Mas haverá ainda a descida. E olharão para baixo. É impossível não temer uma queda. E as trilhas podem confundir. Podemos tomar um caminho errado e nos perder pela mata. A noite chegará e não teremos comida. Nem água. Nem cobertor. Morreremos de frio. Não adiantará os gritos. E os insetos…
- Insetos? Que tipos de insetos?
- Todos os tipos. Milhares. Mosquitos, formigas, gafanhotos, grilos…
- Gafanhotos? Não, não, não… Não vou subir! Não vou subir! Não vou subir!




