O Casamento – Parte X

Por Mateus Modesto | Publicado em Capítulos | 20/07/2010

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Vivian começou a se arrumar no final da tarde. Lavou e escovou os cabelos, pintou as unhas, separou a melhor roupa e o perfume mais delicioso. Esquecera, por algumas horas, do que ouvira em Minas Gerais a respeito de Raimundo. “Deve ter sido um engano…”.

Raimundo aguardava ansioso o jantar. Havia preparado um prato especial. E um presente especial. A noite seria inesquecível. Isso ele garantia. Isso ele faria acontecer.

Eram quase 20h. Vivian chegaria a qualquer momento. Raimundo também se preocupou com sua aparência: barbeou-se, usou um bom perfume, uma roupa mais arrumada. A casa estava com um agradável cheiro do campo. Uma música agradável, iluminação adequada, vinho, velas… ele caprichou.

A campainha toca. Ele abre um sorriso nervoso. “É só um jantar… mais um jantar”. Respira fundo e abre a porta. É Fernando, um amigo.

- Todo arrumado? Está com alguém? De saída?
- Não, não. Esperando… Que houve? Parece pálido, nervoso, aflito…
- Tudo isso e um pouco mais. Se eu soubesse antes, te contaria. Juro que contaria.
- Conte-me logo, rapaz.

Fernando sentou-se no sofá. Pediu um copo d’água. Raimundo trouxe com rapidez. Começava a ficar nervoso.

- Então?
- Soube que Vivian viajou com outras intenções.
- Como é!?
- Ela não viajou a trabalho, mas com um colega de trabalho.
- Como assim? – sentando.

Fernando respirou fundo.

- Ela passou esses dias com Marcos, um rapaz do trabalho.
- Marcos? Marcos? Que Marcos?
- Marcos-alguma-coisa…
- Como Marcos-alguma-coisa? – apertava as mãos.
- Rei… ela te traiu. Eu sabia que mulher viajar sozinha com “pessoal do trabalho” – fazendo aspas com as mãos – não dá certo. Eu já fiz isso! É quase igual à desculpa do “preciso ficar até tarde no escritório sozinho com minha secretária”.
- Eu não acredito… Vi… Vivian foi à trabalho. Nós demos um tempo para refletirmos sobre o nosso relacionamento, casamento… você sabe da história.
- Sei, sei sim. E é por isso que estou aqui te contando. Mas, sinceramente, não queria que isso acontecesse. Não com você. Não com você.

Raimundo levantou e ficou andando pela sala. Em círculos. Ora com a mão no queixo, ora na cabeça. Mil pensamentos surgiram. Sabia que ela não mentira.

- Quem contou o caso foi o próprio pessoal que estava em Minas. Disse que eles se flertavam sempre. E tiveram a certeza quando telefonaram para ele, para Marcos, e ele disse que estava ocupado.
- Ocupado?
- Sim. Ocupado, com Vivian, num quarto de hotel? Repassando os apontamentos da palestra que não foi.

Raimundo ficou em silêncio. Fernando falou mais alguma coisa e foi embora.

Cinco minutos mais tarde, Vivian chegou. Respirou fundo, falou algumas palavras com Deus, tocou a campainha. E abriu um longo sorriso.

O Casamento – Parte IX

Por Mateus Modesto | Publicado em Capítulos | 13/07/2010

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Depois da conversa com Teresa, Raimundo estava esperançoso. Não queria ligar para Vivian: desejava falar pessoalmente. Os dias afastados serviram para organizar as ideias, pensar a respeito do casamento e dar uma resposta a ela.

O dia da volta de Vivian finalmente havia chegado. Ele havia preparado um almoço com os pais dela e um jantar a sós. Um bom vinho, um lindo presente e alianças. O pedido seria feito à noite, durante a sobremesa – ele pensava em colocar sobre a torta holandesa, em um pequeno plástico. Raimundo queria casar.

Vivian chegou de viagem e lá estava Raimundo para buscá-la. Junto com os pais dela. Muita alegria, saudades, cansaço… Mas ela ainda tinha dúvida. “Ele veio me buscar? O caso com a garota que Rita contou será mentira? Ele está arrependido? Ou ainda é o mesmo?”.

- Filha, que saudades! – gritou a mãe.
- Veio sozinha? – perguntou o pai.
- Não, o pessoal do trabalho ficou preso ali atrás. Daqui a pouco aparecem…

Ela olhou para Raimundo. Seu coração deu um leve aperto. Ela não sabia a melhor forma de reagir.

- Olá! – ele adiantou-se.
- Olá! Que bom que veio. – deu um sorriso.
- Também achei. Queria te esperar na casa dos seus pais, mas eles decidiram vir te buscar, então… Não sabia se era melhor ficar ou… ainda precisamos… você sabe.
- Sei, sei sim.

Ela tentou criar um parecer daquela situação: Raimundo não demonstrava amor – parecia mais apreensivo; havia cuidado em seus gestos, sua fala… Vivian não queria dar um veredicto, porém, acreditava no fim do relacionamento. Não sabia explicar.

O almoço corria normalmente. Sem revelações, sem conversas animadoras, sem insinuações. Vivian pensava que havia em Raimundo apenas o respeito por ela. Não mais amor, carinho, desejo. Somente uma amizade. Ela começava a se entristecer.

- E Belo Horizonte? – perguntou a mãe.
- Muito lindo! As praias, então…
- Mesmo?
- Não! – riu. Não existe praia em Minas Gerais…
- Não faça isso com sua mãe, minha filha… Assim você me envergonha.

Raimundo escondia sua ansiedade. Conversava normalmente com Vivian, mas desejava estar a sós com ela e poder explicar-lhe tudo, desculpar-se pela postura de antes e dizer que queria um relacionamento sério, maduro, duradouro.

Terminado o almoço, Raimundo partiu. Limitou-se a convidá-la para sair à noite, para conversarem, e deu-lhe um beijo na face. Ela percebeu um leve sorriso quando ele entrou no carro. Vivian ficou esperançosa. E abriu um enorme sorriso quando ele sumiu ao final da rua.

O Casamento – Parte VIII

Por Mateus Modesto | Publicado em Capítulos | 06/07/2010

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Marcos se assustou. Tentou rejeitar o beijo de Vivian, mas não podia – ele desejou aquilo desde o dia em que soube que ela e Raimundo não estavam se entendendo. Continuaram a se beijar até o telefone dele tocar.

- Eu não preciso atender. – respondeu ele.
- Mas nós precisamos parar.
- Por quê? – beijando-a.
- Não está certo.
- Por quê?
- Porque estou fazendo isso por raiva. Não é certo com você e nem comigo. Principalmente comigo. E nem estou tão bêbada para fingir que foi efeito do álcool.

Marcos tentou argumentar, fazê-la com que esquecesse Raimundo, atentasse para as palavras da amiga ao telefone e considerasse que o relacionamento dela havia chegado ao fim. Ela contestou.

- Eu não estou fazendo o que minha prima me orientou…
- E o que foi?
- Orar.
- O quê?
- Orar.
- Orar?
- Sim.
- Orar? Para quê?
- Para que Deus abençoe esse namoro, para que Ele me dê sabedoria, como agir com Raimundo… sei lá, várias coisas.
- Sinceramente, não é preciso isso. Você sente, percebe… pelo convívio… como a outra pessoa reage à conversa, às dificuldades…
- Sem essa.
- Digo a verdade.
- Se tanto homens quanto mulheres conseguem enganar seus sentimentos, o que me diz os do outro? Você mesmo me contou certa vez sobre uma tal Elisabete. Namoraram por dois anos e você com outras namoradas na cidade. Estava inclusive noiva de uma moça que morava na rua detrás…

Ele riu quando lembrou o fato. Havia sido há muito tempo. Mas isso não fez com que ele desconsiderasse suas palavras.

- Isso é porque eu não a amava. O noivado terminou porque éramos novos.
- Não amava Elisabete. E por que traiu a noiva?
- É do homem. É instinto, está no DNA, é inerente aos verdadeiros homens. Nós até nos esforçamos para não trair, ser fiel, sincero, mas… sabe como é.
- Não, não sei como é.

Levantou-se e foi ao banheiro. Lavou o rosto, ajeitou a roupa, penteou o cabelo. Saiu do quarto.

- Aonde vai?
- Buscar um ar fresco. Preciso pensar.
- E eu?
- Vá para o seu quarto.
- E nós?
- Somos apenas colegas de trabalho.

Marcos saiu em direção ao seu quarto. Ainda se queixava de ter perdido a chance quando seu telefone tocou novamente. Ele atendeu.

- Onde está, Marcos? – era Plínio, um dos colegas da empresa.
- Desculpe. Estava com Vivian.
- E não podia ter atendido?
- Não, não podia.

Plínio nem precisou ser direto. Havia entendido o que acontecera, embora nem tudo o que imaginara houvesse realmente acontecido. E resolveu compartilhar o pensamento.

Como todos estavam reunidos, todos souberam no mesmo momento. E fizeram a maior zoada. Até quem estava na Bahia já tinha tomado conhecimento. Era questão de tempo chegar aos ouvidos de Raimundo. Até que chegou. E da pior forma possível.

O Casamento – Parte VII

Por Mateus Modesto | Publicado em Capítulos | 29/06/2010

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Vivian abre a porta para Marcos. Ele está segurando uma garrafa de vinho e com uma caixa de chocolates finos. Entra e coloca os objetos em cima de uma mesa. Dá um beijo nela e abraça-a. Ela não retribui.

- O que foi?
- Nada. – ela responde.
- Algum problema de eu estar aqui? Se quiser posso ir embora.
- Então pode.
- Mesmo? – assustou-se.
- Daqui a pouco você vai… – rindo.
- É, daqui a pouco.

Vivian foi até o banheiro. Marcos ficou em pé, pensando se tinha sido uma boa idéia ter ido até o quarto dela.

- Sente-se.
- O que vai ser? Vinho ou chocolate.
- Chocolate, claro. Amanhã ainda temos treinamento.
- Não temos não.
- Quem te disse?
- Amanhã é apenas a despedida. Uma pequena palestra de despedida. Nada de relatórios, oficinas, pesquisas, apresentações… vamos ficar só ouvindo dessa vez.
- Que ótimo! Estou muito cansada.
- Quer que eu te faça uma massagem?
- Não, não. Isso é muita intimidade.

Marcos queria uma oportunidade para conversar mais sério com Vivian. Sabia que aquela noite poderia ser o único momento para ter alguma chance de namorá-la, já que a situação com o atual namorado estava abalada e eles estavam em outra cidade. Um “lance”, ainda que por algumas horas, valeria muito. E ninguém teria conhecimento.

Vivian tentava não pensar em Raimundo. Estava querendo falar com ele por telefone, mas sabia que o melhor mesmo era esperar e conversar pessoalmente. A presença de Marcos seria um bom escape.

- Você parece tensa. Deve tomar um pouco de vinho.
- Melhor não.
- Só uma taça. Só uma taça.

Ela resolveu beber.

A conversa ia morna, Vivian queria dormir, Marcos continuava conversando. Até que o telefone dela tocou. Era Rita.

- Alô? Oi, Rita. Como? Fale devagar…

Rita contava sobre o que via: Raimundo com uma mulher a conversar em uma lanchonete. Entretanto, sob o olhar e o que a mente dela criava. Ela não sabia que se tratava de Teresa.

- Beijando?
- Eu diria um verdadeiro amasso. Mão em cima, embaixo, mordidas… Eu não te contaria nada amiga, mas você não merece isso.

Vivian deixou o celular cair. As lágrimas rolavam pelo seu rosto. Marcos ficou assustado. Pegou o telefone do chão, mas já haviam desligado.

- O que houve?

Vivian não falava. Apenas chorava e bebia o vinho.

- Isso não é água! Vivian! Vivian! Larga o co… largue o copo…

Marcos colocou o copo sobre a mesa. Quando virou, Vivian o puxou pela camisa e lhe deu um beijo.

O Casamento – Parte VI

Por Mateus Modesto | Publicado em Capítulos | 22/06/2010

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Raimundo e Teresa marcaram de se encontrar um dia antes da viagem de retorno de Vivian. Ela quis passar na casa dela. Ela preferiu ir a uma lanchonete.

Teresa chegou ao local no horário marcado. Raimundo demorou um pouco mais. Em casa, ficava na dúvida se deveria ter a conversa com a prima de sua namorada. “Talvez eu tenha me precipitado. Talvez devesse fazer como o pessoal me falou”, pensava. Mas foi ao encontro.

- Olá! Esperou muito?
- Não muito.
- Desculpe. Imprevistos…
- Não precisa se justificar.
- Quer comer alguma coisa? Beber?

Teresa fez sinal negativo com a cabeça.

- Então… – ele estava nervoso.
- Então… queria conversar sobre…
- Como está Mauro?
- Meu marido está bem. Muito bem.

Os dois ficaram alguns segundos em silêncio.

- Você queria conversar…
- Tem certeza que não quer comer nada? Os sucos daqui são ótimos! Menos o de laranja. O de uva. Digo, o de maracujá.
- Eu vou querer um suco de manga.
- Suco de manga saindo…
- Raimundo, por que está assim? Disse que queria conversar sobre Vivian…
- Eu… eu não sei o que fazer. Gosto dela, quero tê-la, mas… não quero casar.
- Por que não?
- Eu expliquei a ela. Tantos fracassos em minha família, amigos, colegas de trabalho… Não desejo terminar com Vivian, porém, sei que o casamento, um dia, acabará.
- Não precisa ser assim. O casamento é algo instituído por Deus.
- Lá vem você…
- Raimundo, sei que me chamou para ouvir isso! Você sabe que sou crente, cristã, evangélica… que não aceito o tipo de relacionamento que tem com Vivian, que sou abertamente a favor do casamento e contra essa… esse… isso que chamam de “amigar”, morar junto. Vivian quer se casar com você! Ela não quer mais essa vida que leva, sem…
- Não me quer mais? É isso?
- Ela deve ter sido dura com você. Ou casa ou termina!

Ele ficou calado. Seus olhos estavam marejados.

- Eu não posso terminar com ela. Só que… casar é… casamento deveria…
- Você vai perdê-la desse jeito.
- Mas eu não… – o choro cortou sua voz.
- Deus criou o homem e a mulher para viverem em união. O casamento é benção! O sexo, no casamento, é benção! É maravilhoso ter um homem ou uma mulher só para si. Saber que ele ou ela estará contigo, todos os dias, cuidando, amando… Casamento é sublime, surpreendente, perfeito! Sou eu e meu marido, uma só carne, um só pensamento… Só de saber que essa é a vontade de Deus já me deixa imensamente feliz.
- Eu…
- Queira isso para sua vida! E para a de Vivian.

Eles se abraçaram. Raimundo começou a chorar.

Mais ao longe, Rita, amiga de Vivian, passava. Vendo a cena, resolveu ligar para ela.

O Casamento – Parte V

Por Mateus Modesto | Publicado em Capítulos | 15/06/2010

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Vivian estava com saudades de Raimundo. Entendia que era o momento para ele refletir, decidir sobre o futuro do relacionamento. Ela tinha um pouco de arrependimento. Talvez tivesse agido repentinamente, sem considerar inúmeras coisas, sem dar chances a ele.

Eles não mantinham contato. Por opção dela. Mas ele ainda não a havia procurado. Vivian achava que já era hora de conversarem, mesmo tão longe.

Com o telefone na mão, ela não teve a coragem. Discava parte dos números, todo o número, porém, não apertava o último botão. Tremia.

- Vivian?

Ela se assustou.

- Desculpe-me. Desculpe-me. Não tive a intenção. – disse Marcos, um colega de trabalho.
- Tudo bem. Eu estava mesmo distraída. – olhando para o telefone.
- Podemos conversar?
- Anh?! Claro, claro… – guardou o telefone.
- Sei que o treinamento termina amanhã, então, sei lá, pensei da gente, digo, nós, eu, você e o restante do pessoal, sairmos hoje à noite…
- Hoje?
- Sim, hoje.

Vivian estava a pensar em Raimundo. Tinha medo de voltar para a Bahia e ele terminar o relacionamento. Não sabia se aguentaria. Não sabia como reagiria.

- Então?
- Não, não sei se… eu preciso descansar. Analisar os relatórios, planilhas…

Marcos ficou desapontado, mas entendeu.

A noite chegou. Vivian ainda não havia falado com o namorado. Estava tensa, nervosa, ansiosa. Ligava e desligava o telefone inúmeras vezes. “Terminar por telefone é pior”, pensou. “Teresa me disse para orar. Eu não fiz isso nenhum desses dias que estou aqui. Como faço?”. Quando se ajoelhou no chão, bateram na porta.

- Quem é?
- Marcos!
- Marcos?
- Sim, Marcos. Resolvi não sair com o pessoal. Achei você muito preocupada. Quis ficar com você.

Ela abriu a porta do quarto.

O Casamento – Parte IV

Por Mateus Modesto | Publicado em Capítulos | 08/06/2010

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Raimundo estava sozinho. Não apenas em relação à falta de alguém em sua casa, mas psicologicamente. Ele não tinha ninguém para se confessar, expressar seus sentimentos, a angústia ao “perder” Vivian. Chorava copiosamente.

Os pais de Vivian estranharam a volta dela para casa. E ainda mais com a explicação.

- Entendo que você quer casar, mas… um ultimato?
- É, mãe. Se não for desse jeito… Ele não quer casar, fica lembrando os insucessos da família.
- Então, presumo, que procurará outro namorado.
- Espero, sinceramente, que não, pai. Eu o amo. Mas não quero viver mais assim.
- A vida é sua, Vivian. A vida é sua…

O dia da viagem chegou. Vivian não havia falado com Raimundo nos últimos cinco dias. Estava aflita, nervosa, ansiosa. Porém, entendia que era o melhor para os dois. Sabia que um tempo longe, em outra cidade, faria bem a ela. E, imaginava, ele teria tempo para pensar sobre o casamento.

A estada em Belo Horizonte estava sendo agradável. E, com a dinâmica dos negócios, preocupara-se com o relacionamento apenas na primeira noite. Era um momento que necessitava, principalmente como profissional.

Raimundo continuava reflexivo. Estava em transição de pensamento. Permanecer com o não-casamento significava o fim do relacionamento com seu grande amor. Mas ainda tinha em mente que o matrimônio é uma instituição falida. Só pensava em sua família, na tristeza e discussão do divórcio, na separação de bens, na briga na Justiça. Ele não queria viver isso com Vivian. Queria tê-la, entretanto, acreditava que o casamento acabaria, cedo ou tarde, com a relação dos dois.

Raimundo chegou a contatar os amigos. Todos falavam que não era uma boa idéia ceder aos caprichos de Vivian e, principalmente, casar.

- Se você casar, ela vai montar em você.
- É, cara! Ela vai pedir o casamento, depois o afastamento dos seus amigos, restrição com as amigas… Quando se der conta, estará sozinho em uma ilha.
- Não faça isso. Enrole-a mais uns meses. Ela esquecerá. Tenho certeza.
- Meu amigo, eu entendo disso. Já tive dois casamentos. Cinco anos com uma, três com outra. Oito anos de minha vida desperdiçados. De bom mesmo só o sexo. O resto é resto.
- E sexo a gente pode ter com qualquer mulher. É o que não falta.

Os amigos riam. E brindavam.

Apesar do sorriso, Raimundo estava triste. Sabia que os amigos não eram bons conselheiros. Eram pessoas vazias, sem perspectiva, egoístas.

- Alô!
- Quem fala?
- Raimundo, namorado de Vivian.
- Oi… Algum problema? – surpreendeu-se com o telefonema.
- Eu… eu preciso conversar. A respeito de Vivian. Eu não tenho com quem me abrir. Acho que você é a pessoa certa. Quando posso te encontrar, Teresa?

O Casamento – Parte III

Por Mateus Modesto | Publicado em Capítulos, Novidade | 01/06/2010

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Alguns dias se passaram. Vivian não havia conversado com Raimundo. A idéia de Teresa ainda martelava em sua cabeça. Sabia que poderia ajudar, mas pesava o fato de não poder fazer sexo. Não por ela mesma, porém, encontrava nisso a desculpa perfeita para seu namorado terminar o relacionamento. Ou pior: trair.

Certo dia, no trabalho, Vivian foi convidada a fazer parte de uma comissão que viajaria até Minas Gerais. Seriam 15 dias avaliando uns negócios para o desenvolvimento da empresa. Ela entendeu que seria um bom momento para conversar com o namorado e propor o plano da prima – sem lhe revelar a autoria.

- Ray, queria conversar seriamente com você.

- Diga!

Quando ele olhou o rosto dela, imaginou o que seria. E o seu sorriso desapareceu.

- Não quero conversar sobre casamento!

- Mas eu sim!

- Então vai ficar falando com as paredes. Eu já disse o que penso a respeito. Não tenho mais…

- Eu preciso que você reconsidere isso. Por nós dois. Não desejo viver a vida com meu namorado. Quero um marido. Eu quero um marido!

Raimundo ficou de costas ouvindo. Aquelas palavras tocaram seu coração. Ela estava certa. Eles não passariam de dois namorados. Ainda que morassem juntos e tivessem filhos, nunca seriam marido e mulher sem um casamento.

Eles ficaram alguns segundos em silêncio. Pareciam minutos.

- Vivi… – ele a encarou. Sei seu desejo, porém… Eu, sinceramente… Você, você… não pode reconsiderar isso?

- Não. – cruzou os braços. Em alguns dias eu vou viajar a negócios. Ficarei uns 15 a 20 dias em Minas Gerais. Proponho que você reavalie suas idéias, seus conceitos. Eu não quero e não vou mais morar com você enquanto estivermos só namorando.

- Como é!?

- Hoje, até a volta da viagem, estarei na casa de meus pais. Todo esse período você terá para pensar e me pedir em casamento. Sinceramente, e com peso em meu coração, eu te digo: se realmente não quer casar, esqueça-me. – começou a chorar.

- Mas… o que está acontecendo?

- Eu acordei, entende?! Decidi não viver “amigada”. Quero um vestido branco, véu e grimalda…

- Grinalda.

- … uma lua-de-mel em uma ci-cidade linda… ficar cin-cinco dias só com meu ma-marido… sem traba-balho, sem celu-celular…

Ele ficou atônito. Não sabia o que pensar.

- Você pode me levar…

- Na casa de seus pais? Claro! – abraçando-a.

Raimundo deixou Vivian na casa dos pais. Assim que ela entrou, ele começou a chorar.

O Casamento – Parte II

Por Mateus Modesto | Publicado em Capítulos | 25/05/2010

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Vivian estava cansada da relação com Raimundo. Na verdade, cansada de como as coisas estavam caminhando. Ela não queria mais continuar “amigada”. Queria um casamento. Algo mais natural, como acontecera com seus pais. Estava a ponto de explodir em lágrimas. Resolveu desabafar com a prima Teresa.

- Teresa?

- Vivian? Que voz é essa?

Ela começou a chorar. E não conseguiu falar.

- Alô? Está em casa? Alô? Vivi? Está em casa?

-Si-si…

Em poucos minutos Teresa apareceu na casa da prima. Muito preocupada.

Vivian abriu a porta. Seu rosto estava inchado de tanto chorar.

- O que houve? O que houve? – abraçando-a. – Foi o emprego? Alguma dor? Raimundo?

Vivian continuava sem falar. Só chorava e respondia com a cabeça.

- Raimundo? Que teve com ele? Ele te fez alguma coisa? Ele te fez alguma coisa.

Ela respirou fundo. Cessou a aflição.

- Ele não me agrediu, se é o que quer saber. Prima… não quero mais viver nessa situação.

- Que…

- De estar “amigada”! Quero casar! Quero um casamento na igreja ou em um local escolhido por mim. Quero me vestir de branco. Jogar buquê, fazer convites, encomendar um bife…

- É Buffet!

Vivian começou a rir.

- Usar véu e grimalda!

- É grinalda!

- Misericórdia! Iiih! Falei igual a você.

- Pois é.

 Ficaram alguns segundos em silêncio.

- Então… quer se casar. Já conversou com Raimundo?

- Já. Várias vezes. E hoje de manhã também. Ele não quer isso. Só fala dos insucessos da família dele. Mas a minha não tem. Você, meus pais, suas irmãs, meus tios… Todos que se casaram mantiveram o relacionamento até hoje. Alguns chegaram a cogitar a separação, porém, estão firmes. Uma briga e outra, mas é comum.

- É verdade. Graças a Deus.

- O que faço?

Teresa sabia a resposta na ponta da língua.

- É preciso apresentar isso diante de Deus.

- Mas ele já sabe.

- Mas você precisa conversar diretamente. Em secreto, no quarto… apresentar a Ele o que você deseja.

Vivian ficou ouvindo. Tinha a certeza que seria difícil fazer isso.

- Se você conversar com Deus, Ele irá de guiar, te orientar. E nada de sexo até o casamento.

- O quê???

- É um sacrifício, mas é preciso fazer.

- Você é louca? E se demorar um ano?

- Vai ficar um ano…

- Não, não, não, não… Você quer é acabar com meu relacionamento com ele. Eu não quero. E ele não quer. E mesmo que ele quisesse, eu não ia permitir.

Teresa deu uma risada irônica. Ficou olhando fixamente para a prima.

- Que foi?

- Você quer casar. Quer a ajuda de Deus, porém, não quer dar um passo além da oração.

- Não é o bastante?

- Creio que não. Entenda. Você dizendo a Raimundo que quer casar e demonstrando isso através da abstinência sexual e do retorno à casa dos seus pais…

- Retornar a morar com meus pais?

- Ou alugar uma casa. Como você vai morar com um homem que é somente seu namorado? Mesmo querendo não fazer sexo, pode chegar um momento que… você sabe.

- Sei, sei. Sei sim. Você quer, realmente… Agora eu entendo. Você tem ciúmes. É isso! Quer meu namorado. Você… como não percebi! – batendo na testa.

- Vivian… Fale com ele. Diga que o ama, que quer casar, que vai se mudar. Dê um prazo de um mês a ele. E continue orando todos os dias. E eu estou casada. E amo o meu marido.

Teresa pegou sua bolsa e saiu. Vivian mordeu os lábios. Fazia isso sempre que se arrependia de algo.

O Casamento – Parte I

Por Mateus Modesto | Publicado em Capítulos | 18/05/2010

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- Tire essa idéia da cabeça! Tire logo essa ideia da sua cabeça!
- Falei por falar…

 Raimundo se alterou quando Vivian comentou a conversa que havia tido com as amigas sobre casamento.

- Só disse porque Rafa, Rafaela, vai se casar em dezembro.
- E você quer se casar também?
- Eu quero… o que você quiser… – com a voz rasgada.

 Raimundo e Vivian namoravam há quatro anos. Conheceram-se em uma festa de formatura do sobrinho dela. Paqueraram-se por uns meses e saíram algumas vezes antes de firmar o relacionamento. Mas ela queria um casamento. Daqueles de filme romântico.
 Eles começaram a morar juntos há três meses, mas ela estava incomodada com isso. Em sua casa, todas as outras três irmãs e o irmão mais novo ou estão casados ou estão noivos. Essa prática de “amigar” era uma novidade indesejada pelos pais dela. E ela sabia disso.

- Essa conversa me fez perder o apetite.
- Poxa… Preparei o frango e a salada com tanto carinho.
- É, mas parece que deixou o carinho só no almoço. – levantou-se. Prometa-me que nunca mais voltará com essa conversa de casamento. Prometa!
- Por-por que não gosta de casamento?
- De novo? De novo? Meus pais terminaram dois casamentos, minha tia Tereza, minha prima Rebeca… meu primo Claudio… meus amigos Bruno e Altomir… Maior agonia! “Quero filhos! Quero netos!”. Casaram-se jovens, menos de 23 anos… Como estão hoje?
- Mas é que…
- Como eles estão hoje?
- Separados.
- Todos, todos separados! O casamento de maior duração foi o de… de…
- Bruno. Dois anos e seis meses.
- Isso! Dois anos! E foram dois anos horríveis, pelo que ele sempre me diz.

 Vivian queria ser incisiva, revelar sua insatisfação, porém, temia uma reação mais nervosa dele. Ela o amava, mas morar junto não estava nos planos dela. Ele havia explicado que seria melhor para organizar as finanças. Contudo, esses três meses foram uma felicidade maquiada.

- Morar junto é quase um casamento, minha querida. – sentou-se, mais calmo.
- Quase. Então por que não casa? Não gosta da igreja? Assinar papéis, algo mais legal, formal?
- Isso! Não gosto de padres.
- Pode ser um pastor.
- Que nada! Pastor celebra casamento de gente crente. E tem que dar uma nota para isso.
- Quem te disse?
- Eu que sei.
- Está enganado. Minha prima deu uma oferta ao pastor.
- Oferta? Oferta. Tudo bem. Está conversando com sua prima, hein!? – balançou a cabeça, reprovando.

 Raimundo se levantou e foi trabalhar. Vivian ficou sentada, olhando-o sair.

Desamor – Parte XVII

Por Mateus Modesto | Publicado em Capítulos | 01/02/2009

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No último capítulo, Ana e Julio acabaram desencontrando-se. Quando conversavam ao telefone, ele imaginou que ela quisesse Vitor.

Um mês se passou desde a última vez que Julio e Ana se falaram. O desencontro ainda martelava na cabeça da garota.

- Ah, Deus! Tudo culpa minha. Se eu… Se Vitor não…

Ela sabia que o “se” não existe. Tudo, na verdade, não passara de um mal entendido. O problema era outro: ela não queria telefonar para Julio, pois temia uma reação contrária, repulsiva. Ana tinha medo de ter a certeza de que ele não queria mais ficar insistindo nesse jogo de amor-amizade.

 

Certa noite, Ana estava a caminhar da igreja para casa. Sozinha. Quando dobrou a esquina da sua rua, viu alguém em pé defronte a sua casa. Parecia querer tocar a campainha. Fazia movimentos de ida-e-volta. Ela temeu. Resolveu seguir direto.

- Ana?

- Oi?

- Tudo bem… Sou eu, Vitor.

- Vitor? Aaahh! Não o reconheci. Que faz aqui?

- Vim comprar jornal… – riu. Precisava falar com você.

Eles conversaram ali mesmo, do lado de fora. Vitor não sabia como começar, mas tinha certeza do que queria: ela. Porém, como Ana ainda pensava em um reencontro com Julio, não deu esperanças a ele. Apenas pediu que continuassem amigos.

- Tudo bem. Se é assim que quer… – abraçou-a.

Neste momento, Julio saía da casa de Ana.

 

 

 

Desamor passará a ser aos domingos.

Desamor – Parte XVI

Por Mateus Modesto | Publicado em Capítulos | 15/12/2008

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No capítulo anterior, Julio, Ana, Vitor e Bruno assistiram ao filme no cinema. Logo após, saíram para uma conversa e um sorvete. Julio aceitou contra sua vontade. Antes de ir, convidou Ana para sair.

Julio não imaginava que Ana pudesse aceitar o convite. Na verdade, agiu por impulso. Queria, diz para si mesmo, estar com ela sem indicar isso. No entanto, o encontro estava agendado para daqui a três dias.

Ana conteve-se. Não era um encontro – pensava assim. Seria a oportunidade de descobrir o que Julio realmente queria. Ainda agia como uma adolescente de 16 anos. Sonhava com o momento, preparava-se psicologicamente, orava com fervor. Tudo para não ser enganada.

Vitor telefonou para Ana. Não havia resposta. Insistiu por dias. Em vão. Decidiu ir visitá-la.

- Oi!
- Oi. – surpresa.
- Não retornou minhas ligações.
- Desculpe.
- Algum problema?
- Não, não. E com você?
- Nada. Você está…
- Estou… – forçou um sorriso.
- Fiz algo de errado? Estou indo depressa, ou…
- Depressa? Mas você nem… Digo, está… o que quer saber?

Vitor sabia que Ana ainda pensava em Julio. Desconhecia a exata satisfação que havia. Porém, incomodava-se com ele. Não pela pessoa, mas em relação ao sentimento que ela poderia ter pelo ex-namorado.

O celular de Ana toca. É Julio.

- Sim? – fria.
- Poderia passar aí. Tudo bem para você?
- Não! – gritou. Melhor não… – acalmando a voz.

Julio ouviu a voz de Vitor. Não conseguira escutar perfeitamente, mas identificou pelo sotaque. Entristeceu-se.
O espetáculo começaria às 20h. Era quase isso. Haviam marcado 19h30. Julio passou a dar vida aos seus pensamentos. Seu plano começou a ser frustrado. “Ele virá. Ela não virá. Ela vai me ligar dizendo que não poderá vir. E ainda dará uma péssima explicação”.

Passos agitados, nervosos, amedrontados. O suor descia pela sua testa. A respiração acelerada, como se estivesse correndo. A noite escurecia. E terminava.
Ana apareceu no teatro. Sozinha. Esperou. Nem sinal de Julio. Temeu que ele já estivesse entrado – extrapolara o horário. Chorou quando soube que havia ido embora.

Sentou na calçada e chorou baixinho. “Meu erro! Meu erro!”. Uma fina chuva iniciou-se.

 

Termina aqui a primeira parte de Desamor. Sugestões para a continuação, façam um comentário.

Na primeira segunda-feira de janeiro estarei de volta.

Desamor – Parte XV

Por Mateus Modesto | Publicado em Capítulos | 08/12/2008

1

No capítulo anterior, Julio planejou um encontro com Ana, sem ela saber. Mas não foi como o previsto: Vitor estava lá.

Os quatro entravam na sessão de cinema. O filme escolhido fora ação – único no horário que podiam.

Julio mal prestou atenção ao enredo. Observava a mão de Vitor e a de Ana. Soltava uns gritos e comentários para quebrar um possível clima – o que não existia com sons de tiros e explosões.

Bruno não atentava a nada. Apenas observava o filme. Nem percebia a intenção do amigo.

Após o filme, os quatro pensaram em alguma coisa para terminar o dia. Enquanto Ana e Vitor combinavam um sorvete, Bruno queria ir ao parque. Julio não tinha idéia. Mas sabia que uma sugestão interessante, naquele momento, poderia salvá-lo. Porém, nada veio.

- Então, Julio? Vai conosco?
- Não. – falou sem pensar.
- Não?
- Não. – desanimado com o desenrolar da tarde.
- Por quê? – preocupou-se Ana.
- Porque eu apareci de repente. Vocês tinham planejado uma tarde, e comigo foi outra. Creio que já dei trabalho por hoje.
- Mas você não… – mediu as palavras.
- Que é isso, varão! Venha conosco. Será um prazer.

Julio não queria bancar o dramático. Se continuasse a negar, implorariam até que ele mudasse sua decisão. Resolveu acompanhá-los. Mas disposto a deixá-los em certo horário.

A noite corria agradável. Menos para Julio. A amizade de Ana e Vitor o incomodava. Tomara seu sorvete sem muito ânimo. Observava a conversa sem entusiasmo.

- Preciso ir.
- Já?

Julio despediu-se sem grandes cerimônias. Ana ficou sentida.

- Poderíamos…
- Claro. Você tem meu telefone. A propósito, haverá uma peça de um amigo no sábado. Se quiser ir…

 

O que deve acontecer?

1) Ana deve aceitar e ir com Julio?
2) Ana deve aceitar e ir com Julio e vitor?
3) Ana deve decidir-se em relação aos seus sentimentos e tomar uma postura madura?

Até próxima semana.

Desamor – Parte XIV

Por Mateus Modesto | Publicado em Capítulos | 26/11/2008

4

No capítulo anterior, Ana conheceu mais de Vitor. Estava gostando dele. Julio, por sua vez, aceitou o conselho de Bruno e ligou para a ex-namorada. Mas teve uma surpresa desagradável.

Julio passou a semana inteira tentando descobrir quem era Vitor. Possível namorado, amigo, colega de faculdade, de trabalho… Alto, baixo, magro, gordo, forte, feio, bonito… A cada dia um rapaz diferente. Mas sempre mais apresentável que ele.

Julio buscou ajuda de Bruno para desvendar o mistério. Mas não comunicou nada a ele. Sugeriu que o amigo apenas conversasse com Ana, estivesse mais próxima dela. Intimamente falando.

- Bruno, você não vai fazer isso por mim?
- Sinceramente, não. Você gosta dela e fica me dizendo que não. Quer estar com ela e se faz de difícil. Ana provavelmente está à procura de alguém que a ame, corresponda aos seus anseios…
- Ehe. Falou bonito agora…
- Eu me esforço. – deu um sorrisinho. Tudo bem. Mas você precisa fazer muito mais que isso.

Bruno telefonou para Ana. Marcou de saírem para o cinema.

Julio arquitetou todo o plano. Bruno e Ana se encontrariam na quarta-feira no cinema, por volta das três da tarde. Ele estaria lá às três e trinta. Sem combinar com o amigo.

Todo animado, arrumou-se como quem buscaria a noiva. Imaginou-se nos tempos antigos, de damas e cavaleiros. Penteou o cabelo várias vezes. Sua roupa, perfeitamente passada, demonstrava a importância do momento. Sapatos lustrados e um perfume agradabilíssimo. Sorriu ao espelho. Respirou e deu um grito, para espantar o nervosismo que começava a tomar conta dele.

O cinema estava mais cheio do que o habitual. Bruno e Ana custaram a se ver. O barulho da ala da venda dos ingressos era quase ensurdecedor. Não havia celular que tocasse para ser ouvido.

Julio teve o mesmo destino. Percorreu o ambiente como um carrossel. Chegou a suar. Mas, finalmente, encontraram os três.

- Julio?
- Julio?
- Quem?

Julio ficou observando a terceira pessoa. Um rapaz alto, elegante e apresentável. Ele nunca o tinha visto, mas não havia gostado daquele rapaz. Abraçado a Ana, demonstrava um domínio também sobre o amigo Bruno.

- Olá! Que surpresa, Ana! Bruno… – voltou-se para o desconhecido. Tudo tranqüilo?
- Graça e paz!
- Graça e paz? – pensou Julio.
- Julio, este é Vitor. Vitor, esse é Julio. Vitor é um amigo lá da igreja. Nós nos conhecemos há algumas semanas…
- Sete semanas.
- Tudo isso? Nossa! Parece que foi ontem… – abriu um sorriso.

Julio desanimou-se. Quase desistia do cinema.

- Interessante. Pois então. Coincidência. Vieram ver que filme?
- Comédia.
-Drama.
- Suspense.
- Uoh! Três filmes…
- Não, um só. – respondeu-lhe Ana. Veio sozinho?

Ele pensou rapidamente.

- Na verdade sim. Mas para encontrar uma pessoa aqui.
- Pessoa?
- Pessoa significa mulher. – completou Vitor.

Julio deu um sorrisinho sem graça.

Os três resolveram ir comprar o ingresso. Julio fingiu que esperaria alguém.

Ele começou a refletir sobre seu plano. Arrumara-se todo para encontrar com Ana. E encontrou. Do cinema, possivelmente sairiam para tomar um sorvete. Ali, sondaria seus pensamentos e sua relação com o tal Vitor. Mas estragava tudo porque não foi como o planejado.

- Não posso desistir agora. Talvez ele não seja o que penso.

Adiantou-se e conseguiu comprar o ingresso na mesma sessão. Buscou e achou-os na fila.

- A pessoa não veio?
- Quem eu vim procurar já está aqui. – olhando fixamente para Ana.

Ela deu um sorriso assustada. Mas algo parecia explodir por dentro.

 

O próximo capítulo não estará aberto ao público. Pensamento de última hora.

Até segunda-feira.

Desamor – Sem comentários

Por Mateus Modesto | Publicado em Capítulos | 17/11/2008

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Novamente a série “Desamor” não recebeu comentários.

Aguardando para continuá-la.

Para ler “Desamor – Parte XIII”, clique aqui.