Alguns dias se passaram. Vivian não havia conversado com Raimundo. A idéia de Teresa ainda martelava em sua cabeça. Sabia que poderia ajudar, mas pesava o fato de não poder fazer sexo. Não por ela mesma, porém, encontrava nisso a desculpa perfeita para seu namorado terminar o relacionamento. Ou pior: trair.
Certo dia, no trabalho, Vivian foi convidada a fazer parte de uma comissão que viajaria até Minas Gerais. Seriam 15 dias avaliando uns negócios para o desenvolvimento da empresa. Ela entendeu que seria um bom momento para conversar com o namorado e propor o plano da prima – sem lhe revelar a autoria.
- Ray, queria conversar seriamente com você.
- Diga!
Quando ele olhou o rosto dela, imaginou o que seria. E o seu sorriso desapareceu.
- Não quero conversar sobre casamento!
- Mas eu sim!
- Então vai ficar falando com as paredes. Eu já disse o que penso a respeito. Não tenho mais…
- Eu preciso que você reconsidere isso. Por nós dois. Não desejo viver a vida com meu namorado. Quero um marido. Eu quero um marido!
Raimundo ficou de costas ouvindo. Aquelas palavras tocaram seu coração. Ela estava certa. Eles não passariam de dois namorados. Ainda que morassem juntos e tivessem filhos, nunca seriam marido e mulher sem um casamento.
Eles ficaram alguns segundos em silêncio. Pareciam minutos.
- Vivi… – ele a encarou. Sei seu desejo, porém… Eu, sinceramente… Você, você… não pode reconsiderar isso?
- Não. – cruzou os braços. Em alguns dias eu vou viajar a negócios. Ficarei uns 15 a 20 dias em Minas Gerais. Proponho que você reavalie suas idéias, seus conceitos. Eu não quero e não vou mais morar com você enquanto estivermos só namorando.
- Como é!?
- Hoje, até a volta da viagem, estarei na casa de meus pais. Todo esse período você terá para pensar e me pedir em casamento. Sinceramente, e com peso em meu coração, eu te digo: se realmente não quer casar, esqueça-me. – começou a chorar.
- Mas… o que está acontecendo?
- Eu acordei, entende?! Decidi não viver “amigada”. Quero um vestido branco, véu e grimalda…
- Grinalda.
- … uma lua-de-mel em uma ci-cidade linda… ficar cin-cinco dias só com meu ma-marido… sem traba-balho, sem celu-celular…
Ele ficou atônito. Não sabia o que pensar.
- Você pode me levar…
- Na casa de seus pais? Claro! – abraçando-a.
Raimundo deixou Vivian na casa dos pais. Assim que ela entrou, ele começou a chorar.