Desamor – Parte III

Por Mateus Modesto | Publicado em Capítulos | 25/08/2008

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Julio pensou durante toda a semana sobre o domingo. Temia em ir e acabar confundindo a cabeça de Ana – não queria tanta aproximação. Mas queria visitar Fernanda e sua filha. Dúvida que o consumia aos poucos.

 

Na sexta, Bianca, uma amiga, convidou-o para um churrasco que haveria no domingo. Ele aceitou de imediato, resolvendo, assim, o encontro com Ana. E ficou aliviado. Esboçou até um sorriso, já que Bianca sentia algo por ele. E imaginou toda uma situação para ficar com ela. Riu sozinho.

 

No sábado, animado, visitou Bruno. Conversaram bastante, de tudo, menos sobre Ana. O amigo havia acompanhado todo o desenrolar do relacionamento, e ficou sabendo da última decisão de Julio.

 

- Cara, Bia me chamou para um churrasco amanhã. Quer ir?

- Tenho outro compromisso.

 

Julio insistiu para que o amigo fosse. Bruno raramente desfazia-se de compromissos. Mas de tanto enaltecer o evento e quem estaria por lá, e da necessidade de ir, o amigo acabou por se render.

  

No domingo, Julio arrumou-se e perfumou-se por completo. Ajeitou os cabelos, pôs uma roupa nova, limpou o tênis. Queria impressionar Bianca. Queria ficar com ela. E namorá-la futuramente, talvez. Olhou-se no espelho e soltou um beijo galanteador. “Espelho, espelho meu, se eu não ficar com Bia, quantas fica com eu?”. Brincou para espantar o nervosismo. E riu estranhamente.

 

Chegaram ao churrasco falando com todos.  Bruno estava sem jeito. Seu lugar não era ali. Julio esbanjava simpatia e charme. Ria como um galã e beijava nas mãos das garotas. Falava com os homens com certo desprezo. Seus olhos corriam atrás de Bia. Quando a enxergou, ela estava aos abraços com um cabeludo qualquer.

 

Julio ficou sem reação. Cria que o convite animado feito por ela significava alguma coisa. Ficou sem jeito. Todo aquele charme fugira. Parecia pálido, sem vida – Bruno percebeu. Correu ao banheiro e olhou-se no espelho. Demorou meia hora lá dentro, nervoso. Lavou o rosto e decidiu ir embora. O amigo o seguiu.

 

Bianca o encontrou na porta, saindo. Quis entender a situação, mas ele alegou outro compromisso: Fernanda. Bia lamentou, beijou-o e disse:

 

- Queria ter te apresentado uma amiga…

 

Ele saiu. Andou revoltado com seus pensamentos. Caminhou sem saber para onde ia. Quando pararam, Julio percebeu que estavam próximo à casa de Ana. Lembrou do convite. Insistiu para que fossem até lá. E explicou toda a situação – nada que Bruno já não soubesse. Não queria, mas resolver ir junto.

 

Julio suava as mãos. Mas prometeu a si mesmo que seria a última vez que visitaria Ana. Ou alguém de sua família. “Ficarei não mais de trinta minutos”, pensou.

 

 

Ao abrir a porta, Ana exibiu um lindo sorriso. Julio cumprimentou-a sem grande animação. Apresentou Bruno a ela e foi ver Fernanda. Lembrou-se que estava sem presente. Pôs a mão na testa, envergonhado.

 

- Sua presença que realmente importa. – olhou e percebeu Bruno – Que surpresa! Não sabia que conhecia Julio…

 

Os três entreolharam-se.

 

 

 

Como Bruno e Fernanda se conhecem?

 

1. Frequentam a mesma igreja?

2. Fizeram a mesma faculdade?

3. Ele é ex-namorado da melhor amiga de Fernanda?

 

Até segunda-feira.

OlimPiadas de Pequim 2008

Por Mateus Modesto | Publicado em Esporte | 24/08/2008

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Os Jogos Olímpicos de Pequim terminaram hoje. A cerimônia de encerramento acabou com a festa da China, que conquistou 51 medalhas de ouro – 15 a mais que os EUA. E o Brasil, comparado com as vitórias nos Jogos de Atenas, em 2004, deixou de ganhar duas medalhas douradas.

No quadro geral de medalhas, terminamos a competição com 3 de ouro, 4 de prata e 8 de bronze.

Vencemos em competições que não esperávamos tanto – vôlei feminino, atletismo e natação. Nas quais imaginávamos, perdemos. As maiores decepções foram o vôlei masculino (prata), Diego Hypólito e Thiago Pereira (ambos sem nenhuma medalha). A seleção masculina de futebol fez o que muitos imaginavam, tanto pelo retrospecto da modalidade em Olimpíadas quanto pela insegurança que o técnico Dunga passa. As meninas chegaram muito perto, mas não deu.

Jaqueline durante a premiação (Foto: Flavio Florido/UOL)

O presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman, exaltou o país nos recordes obtidos este ano: maior número de atletas, de mulheres e de modalidades. E de finais a que chegamos: 38. Mas, se fizermos uma comparação grosseira com esta e a última Olimpíada, observando apenas os resultados, vemos que o nosso país não evoluiu tanto assim.

O Brasil terminou 2004 em 16º lugar, com 5 medalhas de ouro, 10 no total. Hoje, ficamos com 3 e 15 no total, em 23º. A Jamaica ficou com 6 medalhas douradas contra 4 em Atenas. O Quênia conquistou 4 medalhas a mais este ano. Bielo-Rússia e Etiópia conquistaram mais 2. E a China, a grande evolução, vencendo 51 vezes contra 32.

É verdade que países como Cuba, França, Grécia, Austrália e Japão perderam, comparando-se com 2004. Assim como disse Nuzman, aconteceu uma distribuição maior de medalhas entre os países.

O Brasil precisa aprender com os vencedores e estimular o esporte (não apenas o futebol) entre as crianças. Na China, aos 5 anos inicia-se o processo de criação de um grande atleta. Como disse Galvão Bueno, após a derrota do vôlei masculino para os EUA (3 sets a 1), é necessário uma base na escola. Apesar de não apoiar muito, uma vez que as escolas públicas carecem de ensino de qualidade – e esta seria a maior preocupação -, o esporte nacional tem que evoluir em pensamento.

Creio que se fizermos como a China, que tiveram como objetivo superar os EUA no número de vitórias, obteremos um melhor resultado nos Jogos de Londres, em 2012 – nós com uma meta muito menor. Organizar, preparar e apoiar todos os esportistas. Para alegria geral da nação e delírio dos narra-torcedores.

OlimPiadas de Pequim 2008

Por Mateus Modesto | Publicado em Esporte, Humor | 23/08/2008

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Trocadilhos olímpicos… Chiiinaaa

1. O Brasil feminino de futebol deve ter martado um do coração… Tantas oportunidades desperdiçadas…

2. O segundo lugar para as meninas foi Pequim diante do futebol apresentado…

3. O velejador brasileiro Robert Scheidt termina em segundo lugar na classe Star. Resultado óbvio, já que desde o início da competição ele entrou com Prada…

4. O taekwondo feminino não Falavigna e o Brasil sai com a medalha de bronze…

5. Maurren faz Maggi e atinge os 7,04 m no salto à distância. Ficou com o ouro…

6. Maurren disse: “Acordei, vi a medalha e chorei”. Que bom! Poderia ser como Murer, que não viu (a vara) e chorou…

7. Aliás, essa atleta entrou na modalidade de salto com vara porque ela pulava Murer quando menina.

OlimPiadas de Pequim 2008

Por Mateus Modesto | Publicado em Esporte, Humor | 20/08/2008

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Trocadilhos olímpicos. Uioooh!

1. Ronaldinho Gaúcho passou a noite em claro após a derrota para a Argentina. Foi um Agüero só!

2. A bielorussa (não sei se é bielo mesmo) Aksana Miankova venceu a disputa do arremesso de martelo e quebrou o recorde no Ninho de Pássaro. Que martelada!

3. Juliana Veloso não se classificou nos saltos ornamentais. Terminou em 23º. Apesar de mergulhar de cabeça na competição, foi infeliz. Entrou água.

4. O brasileiro Fabiano Façanha classificou-se para a semifinal dos 800 m, apesar do “ar quente, úmido e sujo”. Que Peçanha!

5. O Brasil feminino de futebol martou a seleção alemã nos contra-ataques: 4×1.

6. Será o futebol masculino sóbis ao pódio este ano? Em 2000 e 2004 nada ganhamos…

Trabalho em grupo

Por Mateus Modesto | Publicado em Casa de Davi | 20/08/2008

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   Quando Davi chegou do trabalho, testemunhou uma briga entre Ester e José pela televisão. Enquanto a menina queria ver um DVD do Diante do Trono – para aprender a dançar –, o menino queria jogar em seu vídeo-game. Paulo estava sentado no sofá, lendo.

   O pai observou todo o desenrolar da cena e nada fez, esperando uma reação de Paulo. Tanta zoada e ele ali, concentrado, lendo. Davi deu um sorriso e parou com a festa das crianças.

 

- Pronto! Os dois venceram. Direto para o quarto copiar o Salmo 119 – os 50 primeiros versículos. E se houver uma palavra mal escrita, vai refazer. Vamos lá.

- Não, pai… – choramingou José.

- Então quer copiar o livro de Gênesis?

 

   Os dois correram para o quarto, a contragosto. Mas Davi estava mesmo interessado em Paulo. Já era noite e ele estudando. Ele não fazia isto à noite. Preferia ouvir música ou qualquer outra coisa. Ler, só quando houvesse sol. Coçou a barba e foi tomar um banho.

   Rebeca chegou e encontrou Paulo sentado no sofá. Assustou-se ao ver o filho estudando. Foi direto para o quarto, sem dar uma palavra. Conversou com o marido, alegre. Davi se disse receoso, imaginando alguma trama do filho. Mas depois pediu perdão a Deus, por desconfiar do filho.

   Dirigiu-se até ele e o chamou. Não respondeu. Novamente. Nada. Tirou, delicadamente, o livro de sua frente. Paulo estava com fones no ouvido, louvando, e com os olhos fechados. Não percebeu seu pai. Davi olhou para Rebeca, que estava no corredor, abriu um sorriso e balançou a cabeça.

   Na mesa da cozinha, Ester e José apareceram com duas folhas de papel. Era o Salmo 119 escrito. Havia o nome dos dois. Fizeram um trabalho em grupo. Davi admirou-se.

 

- O senhor não disse que não podíamos fazer isso.

 

   Ele não comentou nada. Ficou de boca aberta. Rebeca abriu um sorriso orgulhoso com a sabedoria dos dois pequeninos. De tão feliz, quase chorou. Mas Davi encontrou algumas palavras ilegíveis.

 

- Esta letra é de Ester.

- Mas eu vou refazer.

- Por quê?

- Decidimos que, se alguém escrevesse errado, o outro seria pena… pe…

- Penalizado.

- Isso.

 

   Agora foi a vez de o pai abrir um sorriso. E não permitiu que refizessem. Percebeu que os dois estavam amadurecendo. De tão feliz, chorou.

Lingua Portuguesa Brasileira

Por Mateus Modesto | Publicado em Humor | 20/08/2008

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???

???

As pessoas, desocupadas, geralmente fazem um jogo de palavras para confundir o pensamento de outras. Vamos a alguns:

Por que tudo junto é separado e separado é tudo junto? Hiato é ditongo? Se já é logo, por que já, já é daqui a pouco? Por que não muitas vezes é sim? Se melhor é mais que bom, por que queremos ficar bom quando estamos doente?

Deu para confundir?

OlimPiadas de Pequim 2008

Por Mateus Modesto | Publicado em Esporte | 20/08/2008

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Nem sempre os resultados nos dizem tudo. O caso de Fabiana Murer, que teve a vara de competição extraviada, ratifica a afirmação. Diego Hypólito, que caiu no último salto e ficou fora do pódio, é outro exemplo.

A dupla do vôlei de areia Ricardo/Emanuel perderam a semi-final para a outra dupla brasileira Marcio/Fabio Luiz. Poderiam estar na final se a organização não estivesse alterado a configuração da modalidade: se duas duplas do mesmo país estiverem numa semifinal, elas se enfrentarão – o que acontece na Copa LIbertadores. Fato idêntico com a dupla chinesa Jia Tian/Jie Wang do vôlei de areia: enfrentou e venceu as compatriotas Chen Xue/Xi Zhang.

Na final da ginástica individual geral, apenas duas atletas de cada país podiam disputar o pódio. Fato que ajudou a brasileira Ana Silva, que ficou entre as 24 melhores por, digamos, “sistema de cotas”: ela terminou em 28º lugar na classificação. Na final, acabou em 22º.

Mas outros resultados nos dizem muito. Se a seleção brasileira masculina de futebol tivesse chegado à final, saberíamos duas coisas: Dunga tem sorte e há seleções piores que a nossa – apesar de o elenco ter “nome”.

Vôlei de areia

Por Mateus Modesto | Publicado em Esporte | 20/08/2008

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O vôlei de areia teve confronto brasileiro nas semi-finais: Ricardo/Emanuel contra Márcio/Fábio Luiz.

A primeira dupla é a atual campeã olímpica. E parecem ser os queridinhos de Luciano do Valle. Quem assistiu à transmissão da Band nesta terça-feira, pode notar a empolgação do narrador quando os dois faziam pontos. A impressão era que o Brasil enfrentava outro país.

Márcio e Fábio venceram por dois sets a zero (22×20 e 21×18).

Marcio e Fabio Luiz

Outro ponto “interessante” é o fato dos nossos comentaristas avaliarem alguns atletas brasileiros como coadjuvantes. Basta notar quando vamos às finais: a medalha de prata está garantida - como se alguém buscasse isso.

Virna, ex-jogadora de vôlei de quadra e comentarista da Band nas Olimpíadas, comemora essa conquista.

Futebol

Por Mateus Modesto | Publicado em Esporte | 19/08/2008

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O futebol feminino brasileiro eliminou a Alemanha por 4×1 e foi para a final. Os meninos perderam por 3×0 da Argentina e vão disputar o bronze contra a Bélgica – enfrentamos esta seleção no primeiro jogo nas Olimpíadas de Pequim (1×0).

Fato novo? Não. Novamente o Brasil não vai conquistar o ouro sonhado. Dunga pode cair? Provavelmente sim, mais por conta da seleção principal, que está em quinto lugar nas Eliminatórias para a Copa de 2010, com 9 pontos em 6 jogos.

Desamor – Parte II

Por Mateus Modesto | Publicado em Capítulos | 18/08/2008

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   O telefone tocou insistentemente. Julio queria atender, mas não conseguiu. Olhava para o aparelho e para suas mãos, que começaram a ficar geladas. Ela pediu novamente para entrar. Ele não disse nada. Apenas ouvia seu coração.

   Sua mente borbulhava de pensamentos. Seus olhos pareciam mortos, de tão longe que estava. Suas mãos agora suavam. Seus pés, parados e fracos, mantinham-se em pé por misericórdia. Seu coração acelerou de forma estranha. Ele não tinha certeza, mas não queria deixá-la ir embora.

 

- Julio…

- Oi. Desculpe-me. Entre. – acordou do sono momentâneo.

 

   Ela entrou, sentou-se e começou a falar. Quis explicar cada detalhe, desde o momento da decisão do fim do relacionamento com ele até o dia que terminou com Rodolfo. Estava profundamente arrependida. Conteve-se para não chorar.

 

- Você entende o que fez, não é verdade?! – em pé, andando de lá para cá.

- Claro! Claro! E é por isso que venho te pedir para…

- Voltarmos? – ele se adiantou.

- Não… – ela não conseguia encará-lo – Eu quero que a gente volte a…

 

   Não pode terminar a frase. Sua garganta impediu a voz de sair. Respirou fundo. Muito fundo. Ele ficou de costas para ela. Suas mãos tremiam. Ficaram em silêncio por torturantes cinco minutos. O telefone novamente tocou. Ele foi atender.

 

- Por favor, não atenda.

 

   Ele andou até ela, sentou-se ao seu lado e pegou em sua mão. Respirou fundo. Seus pensamentos novamente lhe agitaram. Um novo relacionamento, nas circunstâncias, seria improvável. Aceitar as desculpas seria o mais sensato a fazer.

 

- Queria te pedir desculpas. Eu não posso negar um perdão. É o que Bruno, um amigo, sempre me diz.

- Que bom. – ela já o encarava.

- Mas… relacionamento… amizade…

 

   Julio olhou em seus olhos. Lembrou-se do dia do primeiro beijo. Parecia um déjà vu.

   Eles se conheceram na casa de um amigo em comum: Marcelo. Era o aniversário da namorada dele e Julio precisava de gelo para colocar em sua testa – havia caído dançando. Ana apareceu com o gelo e colocou direto em seu rosto. Ele deu um grito. Mas, quando a olhou, a dor sumiu. Tanta distração que ela pusera o gelo no lado oposto ao machucado. No dia seguinte, saíram juntos. E namoraram por três anos.

 

- Gostaria que você fosse embora. – disse, constrangido.

 

   Ela se levantou em direção à porta.

 

- Julio, haverá uma pequena celebração próximo domingo em minha casa. Minha irmã fará uma apresentação da filha. Se você… quiser… – suas mãos não paravam quietas – Bom, até.

 

   Ele bateu a porta e se sentou no chão.

 

 

 

O que Julio deve fazer?

 

1) Aceitar o convite e ir com Bruno?

2) Aceitar o convite e ir com uma amiga?

3) Não aceitar e tentar esquecer Ana?

 

Toda segunda eu escrevo em Capítulos. Se perdeu a primeira parte, procura por aí. A sua participação é fundamental no desenvolver da história. Ou você quer que eu faça isso sozinho? Fala sério!

 

Até próxima segunda-feira…

Migrantes

Por Mateus Modesto | Publicado em Crônicas | 17/08/2008

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Os três vinham subindo a rua. A mãe, com malas e sacolas, a menina com um lindo vestidinho verde com detalhes em rosa – presente do último aniversário – e o menino, com uma blusa de frio – própria para o inverno russo. Pareciam felizes.

O sol estava quente. Muito quente. O chão de terra parecia refletir e aumentava ainda mais o calor. As sacolas aumentavam sua agonia e seu enorme cabelo pinicava-lhe o pescoço. O suor escorria pela face e pelos braços. Ela desejava chuva. Ou um rio. Mas um descanso seria perfeito.

Lindas e perfumadas flores enfeitavam a beira do caminho. O calçamento lembrava as ruas francesas, com grandes pedras do tempo colonial. Pétalas caíam do alto, como gotas de chuva. Havia arcos por sobre os três, protegendo-os do sol, soberano. A pequena Maria pulava e dançava, embalada pelo canto dos pássaros. E pela sua imaginação.

O menino João brincava com as pedras. Chutava-as pela rua, como se direcionando o posicionamento de cada uma para o seu bem-estar. Os pés, ainda pequenos, davam passos firmes para um local desconhecido. Não se importava, já que não sabia o que estava acontecendo.

O sol continuava o mesmo. As árvores, os montes e as plantações de milho no caminho eram novidade para as duas crianças. Brincavam a cada passo. Olhar admirado e confuso alternando-se a cada frustração momentânea.

- Está perto?

- Sim.

- Nosso avô já nos viu?

- Não.

- Nem por fotos?

- Não.

O sapato de João estava empoeirado. O vestidinho verde de Maria também. Seus pés estavam machucados de tanto andar. O menino queria colo, mas sua mãe não tinha condições. Caminhavam há um bom tempo. A Caravan preta deixara-os acerca de seis quilômetros da nova casa. Um aperto sufocante. A caminhada era bem-vinda assim que desceram. Mas, dez minutos depois, tornara-se um martírio andar naquele calor.

De longe os avistou. Respirou aliviada: estava próximo. O sorriso tomou-lhe a face e já não mais sentia cansaço. Andou apressada, desejando um abraço dos pais. As crianças andavam mais comedidas, uma vez que desconhecia os avôs – não os viram nem ao menos por foto. A felicidade se misturava com medo de rejeição.

A casa era pequena, com um rio que corria próximo. Lindas árvores, um pequeno chiqueiro, algumas plantações. Sensação de segurança e acolhimento. Ela se lembrou da infância. E do amor incondicional de seus pais. E das lutas para sua sobrevivência. Percebeu aquele lugar como seu melhor lar, de onde não deveria ter saído. As lágrimas começaram a surgir.

O avô levantou o pequeno João e o abraçou com orgulho. A avó ficou aguardando a decisão da neta: abraçada à mãe, escondendo o rosto, temendo não se acostumar com o novo ambiente. Mas a incerteza não durou um minuto. Os tios surgiram do quintal para dar boas-vindas. E os cachorros latiam e uivavam de forma estranha e interessante. Todos se abraçaram e celebraram o retorno dela.

 O sol foi embora, desolado – não notaram mais sua presença. A família, em festa, sorria e clamava por um futuro mais digno. Ela, com as crianças, davam início à nova vida. Uma mistura de realidade e fantasia.

Receita olímpica

Por Mateus Modesto | Publicado em Esporte, Humor | 16/08/2008

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O atleta nas Olimpíadas tem que ter Gana. Por que, se Andorra até a China, não é para fazer Bósnia. Claro que pode acontecer algum Belize, mas Fiji que ninguém viu e perseverar é fundamental. A Irã pode vir, mas não leva a nada.

Somália ao nervosismo natural, há os adversários. Na prova enfrentar-se-á jovens Barbados ou, quem sabe, uma Antiqua e Barbuda – as culturas são estranhas. Não importa: tem que ganhar. Nada de se Gabão antes do tempo, pois pode acabar entre os últimos.

E se a derrota vier, faz parte. Iraque resolver arrancando a cabeça? Jamaica faça isso. Mantenha-se calmo. Houve o caso do maratonista brasileiro Vanderlei Cordeiro, em Atenas (2004), que Dominica toda a prova, mas no final um manifestante o atrapalhou – Maldivas segurança! (Equador danada ver seus adversários passando). Ele não quis jogar Granada nem qualquer outra coisa. Continuou e levou o bronze. Isso é espírito olímpico.

Vários são os Estados Unidos no momento de competição: alegria, medo, orgulho, pavor, tranquilidade e superação são os principais. Pedir a Deus ajuda é importante. China inda achar que é pouco, acreditar em si vale muito. E nada de ingerir bebida alcóolica: Canadá dor de cabeça. E pode dar no doping – não sei…  E não Suíça da concentração para aliviar a tensão – Madagascar um chiclete antes da prova é melhor. E Kuait ou qualquer outro refrigerante não cai bem prum atleta: suco e água. Para comer, Camarões ao alho e óleo creio que não faz mal. Depende do intestino. Espanha o azar.

É Honduras trazer um ouro. Mas, Polônia a satisfação de estar representando seu país mais a vontade de trazer uma medalha, teremos uma atleta a ser batido. Libéria sua força e Aruba: vitória!
Porém, se conquistar e for a única do seu país, nada de bancar o El Salvador ou herói quando chegar em casa. Humildade é imprescindível para um bom atleta.

Quando tudo terminar, de Bermudas, Armênia sua Guatemala e Indonésia: de volta para casa. Bangladesh do avião alegre, com medalha ou não. Afinal, tudo Sérvia como experiência. Hungria você será vencedor.

OlimPiadas de Pequim 2008

Por Mateus Modesto | Publicado em Esporte, Humor | 16/08/2008

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Todo mundo já fez uma piada sem graça com trocadilhos. Abaixo estão alguns muito idiotas com atletas Olympikus… (A Nike deve estar com muita raiva por conta disso. A Rainha, nem tanto: o Reino Unido está em 9º na classificação de medalhas)

1. Nadal, Nadal, Nadal… e morre na praia? Provavelmente não. O tenista espanhol é o atual número um do mundo. Domingo disputa a final. Curiosidade: ele é zurdo!

2. A natação brasileira encielou sua participação nesta semana com um ouro nos 50 m livre.

3. Fale rápido: “Xiexia Chen” – chinesa, ouro no levantamento.

4. A judoca cubana Yordanis Arencibia não fez jus ao nome e ficou na parte mais baixa do pódio.

5. Só porque o nome dela é Tirunesh Dibaba, não quer dizer que correr 10.000 m seja… mas a etíope levou o ouro.

6. Todo mundo quer ganhar ouro em Beijing, mas essa prova não é olímpica.

7. Paradoxalmente, a Coréia do Sul está em cima da Coréia do Norte… 4º e 19º lugar, respectivamente.

8. O país que ficar em primeiro na classificação geral recebe medalha de ouro?

9. Os atletas de Bermudas nadam de sunga?

Jantar em família

Por Mateus Modesto | Publicado em Casa de Davi | 13/08/2008

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Os cinco estavam reunidos para o jantar. Deram as mãos e Davi, o pai, começou a oração, agradecendo a Deus pelo dia maravilhoso e pela fartura em sua mesa. Terminada, como de costume, Paulo contou uma piada. Apenas ele riu – como sempre.

Rebeca servia a comida. Davi, a bebida. Ester a menorzinha da casa. E, de longe, a mais faminta. Seus pais diziam que seu estômago era desproporcional com sua altura. Por um tempo ela achou que fosse verdade. Chorava sozinha no seu quarto imaginando um órgão que suplantava o espaço de todos os outros. Até o dia que sua mãe sentou-se com ela e explicou a brincadeira – isso foi quando ela tinha sete anos, há três anos.

- José, por que está comendo tão depressa? Mastigue direito.

- Mãe… vai começar um… programa na televisão… daqui a pouco. – falou de boca cheia.

- Coma devagar. Ou ficará um mês sem computador.

Não deu ouvidos. Antes que terminasse uma garfada, engasgou-se com um pedaço de carne. Ficou desesperado. Seus olhos se encheram de água e seu rosto ficou avermelhado. Seus irmãos ficaram atônitos. Davi levantou-se e segurou-lhe na altura do diafragma, apertando-o. O alívio foi imediato.

- Os pais sabem o que dizem, José – comentou Paulo.

Ele ficou refletindo enquanto comia. Agora, mais devagar. Ficou tão constrangido que não conseguia olhar para seus pais. Não era a primeira vez que desobedecia a um conselho. E em todos os momentos, sempre lhe acontecia algo terrível. Como da vez que perdeu em uma prova ou deixou de ganhar um bom presente de aniversário.

- Você é burro. – disse Ester.

- Burro não. Tolo. “Aquele que odeia a repreensão é tolo”. – retificou-lhe a mãe.

- “Mas todo que ama a disciplina ama o conhecimento”. – completou Davi.

Paulo nada comentou. Sabia que estava errado – e ficou com raiva. Mais uma vez. Terminou sua refeição em silêncio, enquanto os outros riam e contavam sobre o dia.

Havia uma regra na casa de Davi: ninguém podia levantar-se da mesa se houvesse alguém ainda comendo. Mas Paulo desobedeceu-a. Como punição, teve que lavar os pratos, que seria de sua mãe. E por toda a semana.

- Mas pai…

- Quer mais? Que bom, meu filho. Traga-me um copo d’água, por favor.

Ele respirou fundo e não falou mais nada. Poderia complicar-se.

Todos foram para o quarto, ler a bíblia. Estavam lendo a história de Gideão, relatada no livro de Juízes. Quando Paulo terminou de lavar e arrumar a cozinha, passou para o seu quarto. Davi o chamou. E ficou em silêncio, esperando que ele lhe dissesse a lição daquela noite.

- Perdoem-me. Reconheço que errei e fui burro.

- Tolo! – corrigiu-lhe Ester.

- Ou isso…

Futebol

Por Mateus Modesto | Publicado em Esporte | 13/08/2008

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Renato Gaúcho disse que iria brincar no Brasileirão 2008. A direção do Fluminense cortou seu barato. Cuca, novo técnico, chega prometendo tirar o tricolor carioca da zona de rebaixamento (Z-R).

Cuca treinou o Botafogo por dois anos e conseguiu ser vice-campeão estadual em 2007 e 2008, além de cair na semi-final da Copa do Brasil nesses dois anos também. Não fez uma boa campanha com o Santos este ano - o time paulista ainda está na Z-R – e agora encara novo desafio com o tricolor das Laranjeiras.

É o técnico do “quase”.

Se não conseguir salvar o Flu, ele tem que receber cura na alma…