No capítulo anterior, Julio e Bruno foram para um aniversário, sem saber que Ana, Nívea e Luciana estariam lá também. julio foi conversar com uma garota e esta era Ana, sua ex-namorada. Embaraçado com a situação, decidiu ir embora, levando Bruno, que paquerava Luciana.
Bruno lamentava a chance de conversar com Luciana, enquanto Julio questionava-se sobre sua ação com Ana. Sabia que agira deselegantemente, mas não queria encará-la outra vez. A decisão mais sensata, naquele momento, era sair dali.
- Explique-me o motivo ao menos.
- Depois.
- Agora!
- Ana.
- Que tem?
- Ela está aqui. Vamos.
- E…?
Descendo as escadas – Julio não quis esperar o elevador -, toda a situação foi reconstituída, com pormenores. Bruno deu uma gargalhada. E pediu desculpas.
- Só por isso quer ir para casa?
- Não.
- E por que então?
Julio não tinha outro motivo. Apenas não queria conversar com Ana. Temia o que poderia acontecer. Bruno convenceu-o a ir desculpar-se com ela, descrevendo inúmeros motivos de não se magoar uma linda mulher, ainda que ex-namorada.
- Você está realmente bêbado? – brincou.
Ana e Luciana estavam desoladas no sofá. Desprezaram a atitude de Julio. Falavam horrores dos homens, generalizando-os como insensíveis. Eram grosseiros, deselegantes, hostis, porcalhões, safados… Os adjetivos pareciam não ter fim. Até que os dois surgiram à porta, procurando-as. Ana agitou-se.
- Será que ele vem a mim?
- Creio que não. Deve ter vindo pegar uma bebida.
- Ele não bebe.
Julio entristeceu-se por não tê-la encontrado. Diante de tantas pessoas, não percebeu Ana dirigindo-se a ele. Bruno procurava por Luciana, mas temia que ela houvesse ido embora por conta de sua embriaguez. Respirou fundo.
Ana surgiu na frente de Julio, exibindo um belo sorriso. Ele olhou-a por completo. Seu coração bateu diferente. Era inegável a beleza e o charme dela. Parecia outra pessoa. Lamentou o fato de ela nunca ter se vestido daquela forma, nem ter mudado o visual quando namorados.
- Queria conversar contigo.
Luciana também apareceu para conversar com Bruno, mas ele tremeu e foi pegar uma bebida. Não sabia o que falar – seu estado não era dos melhores. E qualquer afirmação poderia ser usada contra ele. A possibilidade de dizer uma bobagem era infinitamente maior, e, com isso, estragar de vez a “relação” com ela.
Julio desculpou-se pela grosseria de minutos atrás. Não queria agir daquela forma. Foi por impulso, não esperava que fosse ela, não imaginava encontrá-la ali. Repetia a mesma coisa.
- Mas aquelas palavras foram verdadeiras?
- Quais? – fingindo-se de desentendido.
- “Vejo muitas coisas, mas nada que a ti se compare. Porque és, verdadeiramente, linda”…
Ele ficou nervoso. Não podia negar que ela estava linda. Mas não queria complicar-se. O nervosismo tomou-lhe o corpo. Suas mãos e testa começaram a suar. Precisou ir ao banheiro. Ana alegrou-se.
Enquanto isso, Luciana divertia-se com as trapalhadas de Bruno. Gaguejando e extremamente nervoso, a todo o momento complicava-se com suas falas. Declarou que gostava dela, que queria casar, que procurava um amor para a vida toda. Além disso, derrubava copos, salgadinhos e esbarrava-se em outras pessoas sempre que ela aproximava-se. Ele desejou estar em casa.
- Por que não ouvi Julio? – pensou.
Julio retornou do banheiro e despediu-se de Ana. A conversa havia sido longa demais. Ela poderia entender errado. Ainda que ele quisesse isso.
- Já? Pelo menos passamos de quinze minutos dessa vez.
- É…
- Queria convidar-te um dia para sairmos juntos. Eu, você, Bruno e Luciana.
- É só convidar.
Ela surpreendeu-se. Abriu um sorriso e ficou sem graça, ligeiramente vermelha. Decidiu ligar para ele algum dia. Ele concordou. E admitiu a veracidade aquelas palavras. Ela rasgou-se em felicidade.
No dia seguinte, Ana enviou uma mensagem de texto para o celular de Julio. Era o convite.
O que Julio deve fazer?
1) Fingir que nada recebeu?
2) Responder aceitando o convite?
3) Responder negando o convite?
Até próxima segunda-feira.