Vivian abre a porta para Marcos. Ele está segurando uma garrafa de vinho e com uma caixa de chocolates finos. Entra e coloca os objetos em cima de uma mesa. Dá um beijo nela e abraça-a. Ela não retribui.
- O que foi?
- Nada. – ela responde.
- Algum problema de eu estar aqui? Se quiser posso ir embora.
- Então pode.
- Mesmo? – assustou-se.
- Daqui a pouco você vai… – rindo.
- É, daqui a pouco.
Vivian foi até o banheiro. Marcos ficou em pé, pensando se tinha sido uma boa idéia ter ido até o quarto dela.
- Sente-se.
- O que vai ser? Vinho ou chocolate.
- Chocolate, claro. Amanhã ainda temos treinamento.
- Não temos não.
- Quem te disse?
- Amanhã é apenas a despedida. Uma pequena palestra de despedida. Nada de relatórios, oficinas, pesquisas, apresentações… vamos ficar só ouvindo dessa vez.
- Que ótimo! Estou muito cansada.
- Quer que eu te faça uma massagem?
- Não, não. Isso é muita intimidade.
Marcos queria uma oportunidade para conversar mais sério com Vivian. Sabia que aquela noite poderia ser o único momento para ter alguma chance de namorá-la, já que a situação com o atual namorado estava abalada e eles estavam em outra cidade. Um “lance”, ainda que por algumas horas, valeria muito. E ninguém teria conhecimento.
Vivian tentava não pensar em Raimundo. Estava querendo falar com ele por telefone, mas sabia que o melhor mesmo era esperar e conversar pessoalmente. A presença de Marcos seria um bom escape.
- Você parece tensa. Deve tomar um pouco de vinho.
- Melhor não.
- Só uma taça. Só uma taça.
Ela resolveu beber.
A conversa ia morna, Vivian queria dormir, Marcos continuava conversando. Até que o telefone dela tocou. Era Rita.
- Alô? Oi, Rita. Como? Fale devagar…
Rita contava sobre o que via: Raimundo com uma mulher a conversar em uma lanchonete. Entretanto, sob o olhar e o que a mente dela criava. Ela não sabia que se tratava de Teresa.
- Beijando?
- Eu diria um verdadeiro amasso. Mão em cima, embaixo, mordidas… Eu não te contaria nada amiga, mas você não merece isso.
Vivian deixou o celular cair. As lágrimas rolavam pelo seu rosto. Marcos ficou assustado. Pegou o telefone do chão, mas já haviam desligado.
- O que houve?
Vivian não falava. Apenas chorava e bebia o vinho.
- Isso não é água! Vivian! Vivian! Larga o co… largue o copo…
Marcos colocou o copo sobre a mesa. Quando virou, Vivian o puxou pela camisa e lhe deu um beijo.