O Casamento – Parte VIII
Por Mateus Modesto | Publicado em Capítulos | 06/07/2010
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Marcos se assustou. Tentou rejeitar o beijo de Vivian, mas não podia – ele desejou aquilo desde o dia em que soube que ela e Raimundo não estavam se entendendo. Continuaram a se beijar até o telefone dele tocar.
- Eu não preciso atender. – respondeu ele.
- Mas nós precisamos parar.
- Por quê? – beijando-a.
- Não está certo.
- Por quê?
- Porque estou fazendo isso por raiva. Não é certo com você e nem comigo. Principalmente comigo. E nem estou tão bêbada para fingir que foi efeito do álcool.
Marcos tentou argumentar, fazê-la com que esquecesse Raimundo, atentasse para as palavras da amiga ao telefone e considerasse que o relacionamento dela havia chegado ao fim. Ela contestou.
- Eu não estou fazendo o que minha prima me orientou…
- E o que foi?
- Orar.
- O quê?
- Orar.
- Orar?
- Sim.
- Orar? Para quê?
- Para que Deus abençoe esse namoro, para que Ele me dê sabedoria, como agir com Raimundo… sei lá, várias coisas.
- Sinceramente, não é preciso isso. Você sente, percebe… pelo convívio… como a outra pessoa reage à conversa, às dificuldades…
- Sem essa.
- Digo a verdade.
- Se tanto homens quanto mulheres conseguem enganar seus sentimentos, o que me diz os do outro? Você mesmo me contou certa vez sobre uma tal Elisabete. Namoraram por dois anos e você com outras namoradas na cidade. Estava inclusive noiva de uma moça que morava na rua detrás…
Ele riu quando lembrou o fato. Havia sido há muito tempo. Mas isso não fez com que ele desconsiderasse suas palavras.
- Isso é porque eu não a amava. O noivado terminou porque éramos novos.
- Não amava Elisabete. E por que traiu a noiva?
- É do homem. É instinto, está no DNA, é inerente aos verdadeiros homens. Nós até nos esforçamos para não trair, ser fiel, sincero, mas… sabe como é.
- Não, não sei como é.
Levantou-se e foi ao banheiro. Lavou o rosto, ajeitou a roupa, penteou o cabelo. Saiu do quarto.
- Aonde vai?
- Buscar um ar fresco. Preciso pensar.
- E eu?
- Vá para o seu quarto.
- E nós?
- Somos apenas colegas de trabalho.
Marcos saiu em direção ao seu quarto. Ainda se queixava de ter perdido a chance quando seu telefone tocou novamente. Ele atendeu.
- Onde está, Marcos? – era Plínio, um dos colegas da empresa.
- Desculpe. Estava com Vivian.
- E não podia ter atendido?
- Não, não podia.
Plínio nem precisou ser direto. Havia entendido o que acontecera, embora nem tudo o que imaginara houvesse realmente acontecido. E resolveu compartilhar o pensamento.
Como todos estavam reunidos, todos souberam no mesmo momento. E fizeram a maior zoada. Até quem estava na Bahia já tinha tomado conhecimento. Era questão de tempo chegar aos ouvidos de Raimundo. Até que chegou. E da pior forma possível.
















