Desamor – Parte XVII

Por Mateus Modesto | Publicado em Capítulos | 01/02/2009

1

No último capítulo, Ana e Julio acabaram desencontrando-se. Quando conversavam ao telefone, ele imaginou que ela quisesse Vitor.

Um mês se passou desde a última vez que Julio e Ana se falaram. O desencontro ainda martelava na cabeça da garota.

- Ah, Deus! Tudo culpa minha. Se eu… Se Vitor não…

Ela sabia que o “se” não existe. Tudo, na verdade, não passara de um mal entendido. O problema era outro: ela não queria telefonar para Julio, pois temia uma reação contrária, repulsiva. Ana tinha medo de ter a certeza de que ele não queria mais ficar insistindo nesse jogo de amor-amizade.

 

Certa noite, Ana estava a caminhar da igreja para casa. Sozinha. Quando dobrou a esquina da sua rua, viu alguém em pé defronte a sua casa. Parecia querer tocar a campainha. Fazia movimentos de ida-e-volta. Ela temeu. Resolveu seguir direto.

- Ana?

- Oi?

- Tudo bem… Sou eu, Vitor.

- Vitor? Aaahh! Não o reconheci. Que faz aqui?

- Vim comprar jornal… – riu. Precisava falar com você.

Eles conversaram ali mesmo, do lado de fora. Vitor não sabia como começar, mas tinha certeza do que queria: ela. Porém, como Ana ainda pensava em um reencontro com Julio, não deu esperanças a ele. Apenas pediu que continuassem amigos.

- Tudo bem. Se é assim que quer… – abraçou-a.

Neste momento, Julio saía da casa de Ana.

 

 

 

Desamor passará a ser aos domingos.

Desamor – Parte XVI

Por Mateus Modesto | Publicado em Capítulos | 15/12/2008

2

No capítulo anterior, Julio, Ana, Vitor e Bruno assistiram ao filme no cinema. Logo após, saíram para uma conversa e um sorvete. Julio aceitou contra sua vontade. Antes de ir, convidou Ana para sair.

Julio não imaginava que Ana pudesse aceitar o convite. Na verdade, agiu por impulso. Queria, diz para si mesmo, estar com ela sem indicar isso. No entanto, o encontro estava agendado para daqui a três dias.

Ana conteve-se. Não era um encontro – pensava assim. Seria a oportunidade de descobrir o que Julio realmente queria. Ainda agia como uma adolescente de 16 anos. Sonhava com o momento, preparava-se psicologicamente, orava com fervor. Tudo para não ser enganada.

Vitor telefonou para Ana. Não havia resposta. Insistiu por dias. Em vão. Decidiu ir visitá-la.

- Oi!
- Oi. – surpresa.
- Não retornou minhas ligações.
- Desculpe.
- Algum problema?
- Não, não. E com você?
- Nada. Você está…
- Estou… – forçou um sorriso.
- Fiz algo de errado? Estou indo depressa, ou…
- Depressa? Mas você nem… Digo, está… o que quer saber?

Vitor sabia que Ana ainda pensava em Julio. Desconhecia a exata satisfação que havia. Porém, incomodava-se com ele. Não pela pessoa, mas em relação ao sentimento que ela poderia ter pelo ex-namorado.

O celular de Ana toca. É Julio.

- Sim? – fria.
- Poderia passar aí. Tudo bem para você?
- Não! – gritou. Melhor não… – acalmando a voz.

Julio ouviu a voz de Vitor. Não conseguira escutar perfeitamente, mas identificou pelo sotaque. Entristeceu-se.
O espetáculo começaria às 20h. Era quase isso. Haviam marcado 19h30. Julio passou a dar vida aos seus pensamentos. Seu plano começou a ser frustrado. “Ele virá. Ela não virá. Ela vai me ligar dizendo que não poderá vir. E ainda dará uma péssima explicação”.

Passos agitados, nervosos, amedrontados. O suor descia pela sua testa. A respiração acelerada, como se estivesse correndo. A noite escurecia. E terminava.
Ana apareceu no teatro. Sozinha. Esperou. Nem sinal de Julio. Temeu que ele já estivesse entrado – extrapolara o horário. Chorou quando soube que havia ido embora.

Sentou na calçada e chorou baixinho. “Meu erro! Meu erro!”. Uma fina chuva iniciou-se.

 

Termina aqui a primeira parte de Desamor. Sugestões para a continuação, façam um comentário.

Na primeira segunda-feira de janeiro estarei de volta.

Desamor – Parte XV

Por Mateus Modesto | Publicado em Capítulos | 08/12/2008

1

No capítulo anterior, Julio planejou um encontro com Ana, sem ela saber. Mas não foi como o previsto: Vitor estava lá.

Os quatro entravam na sessão de cinema. O filme escolhido fora ação – único no horário que podiam.

Julio mal prestou atenção ao enredo. Observava a mão de Vitor e a de Ana. Soltava uns gritos e comentários para quebrar um possível clima – o que não existia com sons de tiros e explosões.

Bruno não atentava a nada. Apenas observava o filme. Nem percebia a intenção do amigo.

Após o filme, os quatro pensaram em alguma coisa para terminar o dia. Enquanto Ana e Vitor combinavam um sorvete, Bruno queria ir ao parque. Julio não tinha idéia. Mas sabia que uma sugestão interessante, naquele momento, poderia salvá-lo. Porém, nada veio.

- Então, Julio? Vai conosco?
- Não. – falou sem pensar.
- Não?
- Não. – desanimado com o desenrolar da tarde.
- Por quê? – preocupou-se Ana.
- Porque eu apareci de repente. Vocês tinham planejado uma tarde, e comigo foi outra. Creio que já dei trabalho por hoje.
- Mas você não… – mediu as palavras.
- Que é isso, varão! Venha conosco. Será um prazer.

Julio não queria bancar o dramático. Se continuasse a negar, implorariam até que ele mudasse sua decisão. Resolveu acompanhá-los. Mas disposto a deixá-los em certo horário.

A noite corria agradável. Menos para Julio. A amizade de Ana e Vitor o incomodava. Tomara seu sorvete sem muito ânimo. Observava a conversa sem entusiasmo.

- Preciso ir.
- Já?

Julio despediu-se sem grandes cerimônias. Ana ficou sentida.

- Poderíamos…
- Claro. Você tem meu telefone. A propósito, haverá uma peça de um amigo no sábado. Se quiser ir…

 

O que deve acontecer?

1) Ana deve aceitar e ir com Julio?
2) Ana deve aceitar e ir com Julio e vitor?
3) Ana deve decidir-se em relação aos seus sentimentos e tomar uma postura madura?

Até próxima semana.

Desamor – Parte XIV

Por Mateus Modesto | Publicado em Capítulos | 26/11/2008

4

No capítulo anterior, Ana conheceu mais de Vitor. Estava gostando dele. Julio, por sua vez, aceitou o conselho de Bruno e ligou para a ex-namorada. Mas teve uma surpresa desagradável.

Julio passou a semana inteira tentando descobrir quem era Vitor. Possível namorado, amigo, colega de faculdade, de trabalho… Alto, baixo, magro, gordo, forte, feio, bonito… A cada dia um rapaz diferente. Mas sempre mais apresentável que ele.

Julio buscou ajuda de Bruno para desvendar o mistério. Mas não comunicou nada a ele. Sugeriu que o amigo apenas conversasse com Ana, estivesse mais próxima dela. Intimamente falando.

- Bruno, você não vai fazer isso por mim?
- Sinceramente, não. Você gosta dela e fica me dizendo que não. Quer estar com ela e se faz de difícil. Ana provavelmente está à procura de alguém que a ame, corresponda aos seus anseios…
- Ehe. Falou bonito agora…
- Eu me esforço. – deu um sorrisinho. Tudo bem. Mas você precisa fazer muito mais que isso.

Bruno telefonou para Ana. Marcou de saírem para o cinema.

Julio arquitetou todo o plano. Bruno e Ana se encontrariam na quarta-feira no cinema, por volta das três da tarde. Ele estaria lá às três e trinta. Sem combinar com o amigo.

Todo animado, arrumou-se como quem buscaria a noiva. Imaginou-se nos tempos antigos, de damas e cavaleiros. Penteou o cabelo várias vezes. Sua roupa, perfeitamente passada, demonstrava a importância do momento. Sapatos lustrados e um perfume agradabilíssimo. Sorriu ao espelho. Respirou e deu um grito, para espantar o nervosismo que começava a tomar conta dele.

O cinema estava mais cheio do que o habitual. Bruno e Ana custaram a se ver. O barulho da ala da venda dos ingressos era quase ensurdecedor. Não havia celular que tocasse para ser ouvido.

Julio teve o mesmo destino. Percorreu o ambiente como um carrossel. Chegou a suar. Mas, finalmente, encontraram os três.

- Julio?
- Julio?
- Quem?

Julio ficou observando a terceira pessoa. Um rapaz alto, elegante e apresentável. Ele nunca o tinha visto, mas não havia gostado daquele rapaz. Abraçado a Ana, demonstrava um domínio também sobre o amigo Bruno.

- Olá! Que surpresa, Ana! Bruno… – voltou-se para o desconhecido. Tudo tranqüilo?
- Graça e paz!
- Graça e paz? – pensou Julio.
- Julio, este é Vitor. Vitor, esse é Julio. Vitor é um amigo lá da igreja. Nós nos conhecemos há algumas semanas…
- Sete semanas.
- Tudo isso? Nossa! Parece que foi ontem… – abriu um sorriso.

Julio desanimou-se. Quase desistia do cinema.

- Interessante. Pois então. Coincidência. Vieram ver que filme?
- Comédia.
-Drama.
- Suspense.
- Uoh! Três filmes…
- Não, um só. – respondeu-lhe Ana. Veio sozinho?

Ele pensou rapidamente.

- Na verdade sim. Mas para encontrar uma pessoa aqui.
- Pessoa?
- Pessoa significa mulher. – completou Vitor.

Julio deu um sorrisinho sem graça.

Os três resolveram ir comprar o ingresso. Julio fingiu que esperaria alguém.

Ele começou a refletir sobre seu plano. Arrumara-se todo para encontrar com Ana. E encontrou. Do cinema, possivelmente sairiam para tomar um sorvete. Ali, sondaria seus pensamentos e sua relação com o tal Vitor. Mas estragava tudo porque não foi como o planejado.

- Não posso desistir agora. Talvez ele não seja o que penso.

Adiantou-se e conseguiu comprar o ingresso na mesma sessão. Buscou e achou-os na fila.

- A pessoa não veio?
- Quem eu vim procurar já está aqui. – olhando fixamente para Ana.

Ela deu um sorriso assustada. Mas algo parecia explodir por dentro.

 

O próximo capítulo não estará aberto ao público. Pensamento de última hora.

Até segunda-feira.

Desamor – Sem comentários

Por Mateus Modesto | Publicado em Capítulos | 17/11/2008

0

Novamente a série “Desamor” não recebeu comentários.

Aguardando para continuá-la.

Para ler “Desamor – Parte XIII”, clique aqui.

Desamor – Parte XIII

Por Mateus Modesto | Publicado em Capítulos | 10/11/2008

3

No capítulo anterior, Bruno conversou com Julio sobre a decisão de viajar. Tentou convencer o amigo a desistir da ação. Ana conheceu Vitor, um jovem da igreja. E ficou admirada com sua beleza.

Ana não parou de pensar em Vitor o culto inteiro. Procurava-o com os olhos a todo o instante. E, de tão aérea, acabou sendo repreendida pelas amigas ao lado.

Ela dividia sua atenção com o pastor e Vitor. Ria sozinha, esperando uma nova oportunidade para poder falar com ele. E surgiu, quando ele levantou-se e saiu.

- Oh! Olá!
_ Oi, menina. Fabiana?
- Ana!
- Isso mesmo. Por que não está lá dentro?
- Vim…
- Beber água?
- Sim.
- Mentira não é de Deus.

Ela ficou sem graça.

- Por que não diz que veio me ver?
- Porque não seria… preciso entrar.
- A água…

Ana não sabia o que fazer. A precipitação traiu-lhe. Agora, pensava, não mais encontraria com ele, tamanha a vergonha que ficara. Sabia que tinha de esperar um novo momento. Exato, perfeito.

O culto terminou e ela não se esqueceu do que havia feito. Rasgava-se de raiva por dentro. “Uma mulher agir não é elegante. Uma donzela aguarda ansiosa pelo seu cavaleiro. Uma dama é cortejada sempre. Infeliz!”.

Vitor a esperava do lado de fora. Sorriu e convidou-lhe para sair. Ela negou.

- Não o conheço. – andando com rapidez.
- A intenção é justamente…
- Apenas nós dois?
- Sim.
- Não. Só se sairmos com minha irmã e o marido.
- Como quiser.
- Próximo sábado.
- Interessante… Posso ter seu número de telefone?
- Veja na lista.

Ele ficou para trás. E abriu um sorriso. Ela adiantou os passos. E sorriu feliz.
Julio refletira nas palavras de Bruno. Havia desistido da viagem no final do ano. Sabia que não resolveria seu futuro fugindo dele. Tornara-se um homem. Tinha de pensar como um. E o melhor seria decidir uma postura em relação a Ana. Nada de dúvidas e indefinições.

Telefonou para Bruno e agradeceu pelas sábias palavras. Contou-lhe dos pensamentos e planos para sua vida. Estava determinado a buscar um futuro digno, inclusive a ter uma nova atitude nos comportamentos. Ligou para Ana.

Ensaiou por diversas vezes em frente ao espelho. Respirou fundo. Gritava para espantar o medo. Respirou fundo novamente. Discou o número. Desligou. Respirou fundo. Discou.

- Alô!
- Ana?
- Oi.
- Sabe quem está falando?
- Hmm… Vitor?

Julio desligou o telefone.

 

O que deve acontecer?

1) Julio desistir de Ana, imaginando que ela tem um namorado?
2) Julio deve sondar para tomar a decisão de desistir de Ana?
3) Julio deve investir em Ana, procurando saber se ela ainda o ama, mesmo que tenha um namorado?

Até próxima segunda-feira.

Desamor – Parte XII

Por Mateus Modesto | Publicado em Capítulos | 03/11/2008

3

No capítulo anterior, Ana explicou a Fernanda seu desespero em perder Julio. A irmã aconselhou a esperar em Deus, já que Ele sabe de todas as coisas. E Julio compartilhava com Bruno a hipótese de ir embora para um outro local, recomeçar sua vida.

Bruno dirigiu-se à casa de Julio. No caminho, pensou no que poderia falar para convencê-lo a ficar. Nada lhe veio ao pensamento. Quis telefonar para Ana. E assim fez.

Ao descer do ônibus, correu desesperadamente, imaginando que Julio já estaria de malas postas no carro. Entendia da decisão do amigo, de um momento de reflexão, mas não o apoiava. Respirou aliviado quando o viu lavando o veículo.

Aproximou-se, cauteloso com o falar.

- Como está?
- Bem, muito bem. – com um sorriso sincero.
- Ainda mantém o propósito de viajar?
- Por que mudaria? Uma viagem, um tempo para refletir, um recomeço, sem as mesmas falhas. Em outro local posso ser uma nova pessoa.
- Aqui você pode ser outra pessoa.
- Não. Havendo mudança, as pessoas condenam, quando não o próprio passado, dizendo que há algum interesse, é por um tempo limitado, provocando a desistência. Quero um novo ambiente, Bruno.

Ele ouviu atentamente as explicações do amigo. Percebia a necessidade de mudança. Porém, acreditava que seria preciso apenas um comportamento diferente. Um novo local equivaleria à simples alteração de ambiente. Persistiriam os erros, dúvidas e medos.

- Fique. Tente. Perceba que você é especial… para uns.

Julio estranhou o comportamento do amigo. Bruno não parou de falar. Parecia determinado a evitar a viagem. Cada palavra tocou o seu coração profundamente. Revelava um amor reprimido. Como de irmãos.

Julio apenas ouvia. Bruno calou-se. O silêncio incomodou os dois. Era duro demais desviar o olhar. Cabisbaixos, esperavam um pelo outro. Até quando Bruno resolveu ir embora. Julio o acompanhou com os olhos.
Ana seguia sua vida de mudança. Concentrada nos estudos pela proximidade do vestibular, não se esquecia de Julio. Sabia de seu desejo de ir embora, mas esperou pela resposta de Deus. E não queria comentar a respeito, já que comprometeria Bruno, além de nem ter sido procurada.

Estava só. Luciana e Nívea afastaram-se dela. Não pela decisão espiritual, de seguir a Cristo, mas pela falta de tempo da amiga: estudando, no trabalho, na igreja, com outras amigas. Mas Ana não se preocupava com isso. Era apenas uma fase.
Uma semana se passou. Julio não procurou Bruno, que não procurou Ana. A ansiedade tornou-se descanso. Nesse período, conheceu um rapaz. Pouco mais velho, maduro, bem empregado, elegante. Surgiu de repente, sem ela ter desejado. Seu nome era Vitor. Galã de cinema, diria Nívea.

- Ainda não nos conhecemos.
- Pois é. – nitidamente desajeitada.
- Parece nervosa. Vim em boa hora?
- Claro.

Aqueles cinco minutos pareciam uma eternidade. Quando ele se foi, ficou em seu coração a vontade de continuar a conversar. Mas o culto na igreja já havia começado.

 

O que deve acontecer?

1) Ana deve aproximar-se de Vitor?
2) Ana deve esperar pela postura de Vitor?
3) Ana deve procurar Julio, caso tenha desistido da viagem?

Até próxima segunda-feira.

Desamor – Sem comentários

Por Mateus Modesto | Publicado em Capítulos | 27/10/2008

2

Hoje não tem atualização porque ninguém escolheu uma continuação.

Basta comentar. Saiba como:

1. Clique em “Capítulos” acima (só faça isso depois de ler os itens abaixo ou com a tecla Shift pressionada). Aparecerá uma nova tela, com tudo o que foi escrito nesse tópico.

2. Leia a estória “Desamor – Parte XI”.

3. Vá em “Comments”. Escreva seu nome e e-mail e deixe sua opção sobre a continuação.

4. É só aguardar, visitando o site outro dia.

Se quiser comentar além, revelando seu pensamento sobre toda a estória, fique à vontade. As críticas, quando sinceras, servem para o nosso crescimento.

Desamor – Parte XI

Por Mateus Modesto | Publicado em Capítulos | 21/10/2008

2

No capítulo anterior, Julio decidiu aceitar o convite de Ana. Porém, perturbada com as orientações imprecisas de suas amigas, Ana optou por não sair com Julio, o que acabou frustrando os dois.

Ana passou a semana amargurada. Não sabia como se desfazer da atitude impensada contra Julio. Condenava-se a todo o momento. As amigas não tinham um plano B para essa situação. A única forma de saber o que Julio sentia por Ana era dar o primeiro passo. E isto implicava a ligação e o pedido de desculpas.

- O que você fez exige uma retratação. Ele não vai ligar. Pelo menos eu não ligaria.
- Não diga assim, Luciana. Dê esperança a ela.
- Esperança falsa? Não mesmo.

Apesar da insistência, Ana cria que o melhor a fazer era esperá-lo. Na verdade, ela sentia-se desiludida com o desenrolar das coisas. Julio não a procurava, sempre se esquivando. Imaginava que a definição seria muito rápida.

- Meninas, obrigada pelo interesse de vocês. Mas entendo que agora é preciso descansar. Mesmo que isso dure meses…
- Se passar de um mês, esqueça-o. Não vale a pena esperar por homens…
- Nívea, não diga isso!

Durante o domingo, Ana era só tristeza. Não comia, não bebia, não lia, não queria fazer nada. Perambulava pela casa, sem objetivos. Sentava-se para assistir a algum filme, mas desistia na metade da exibição. Colocava suco no copo e não o bebia. Isso incomodou Fernanda, sua irmã.

- Aninha, o que há?
- Com quem?
- Não come, não bebe. Está assim desde terça-feira. Foi algo com Julio?
- Por que com ele? Por que tem que ser sempre alguma coisa com ele?
- Não sei. Você me diz.

Ela sentou-se e começou a chorar. Lembrou toda a história com Julio, desde a festa de aniversário de Roberto. Cada palavra vinha com um soluço e lágrimas. Muitas lágrimas. Arrependia-se de ter estragado tudo, apesar de não ser certeza que retomaria o relacionamento com ele.

- Não fique assim. Você acha que ele gosta de você? Por que não liga novamente explicando-se?
- Não quero fazer isso. Você me disse para ser sábia. Eu não fui.
- Acalme-se. Foi um erro. Mas é corrigível. Porém, se não quiser ligar, espere no Senhor. E creia que se for para dar certo, Ele te guiará.
- Sei…

Fernanda começou a relembrar seu relacionamento com o marido. Repetiu, pela enésima vez, como ela agiu e como tudo foi caminhando para eles se casarem. Explicou a Ana que o melhor a fazer, em certas situações, é entregar a causa a Deus.

- E Ele pode resolver isso?
- Claro. Porém, o mais importante para você é saber qual a vontade Dele. Porque, se Julio não for seu varão, Deus vai afastá-lo mesmo.
- Varão?
- Homem. Varoa é mulher.
- Interessante. E estranho.
- Então? Quer entregar sua causa a Ele? Jesus nos ensina a primeiro buscarmos o Reino dos Céus e depois tudo será acrescentado. Emprego, carro, casa, casamento, filhos… tudo será acrescentado. Você só precisa crer.
- Vejamos no que vai dar.

Ana decidiu preocupar-se consigo. Dedicou-se mais ao trabalho, ao estudo para o ingresso em uma faculdade, na arrumação da casa. Pensava e orava junto com a irmã por Julio, mas não estava como antes. Centrada, queria agora um homem sério e maduro, que não descartasse um casamento.

 

Um mês se passou e Julio não havia ligado para Ana. Na verdade, havia decidido não procurá-la. Queria um tempo para pensar se ela era a pessoa certa. Próximo do término da faculdade e com um emprego estável, ele não era mais homem de baladas e namoros sem futuro. A antiga namorada parecia mais deste tipo.

Ligou para Bruno. Queria conversar com o amigo, que não via há umas três semanas.

- Estou pensando em mudar de cidade.
- Por quê?
- Quero esquecer meu passado.
- Mas passado não se esquece. Ele fica com você. O que podemos fazer é mudar nosso futuro, com nossas ações no presente. Ainda pensando em Ana? Ela mudou.
- Não é isso. Não é só isso. É que… eu errei muito. Com muitas pessoas. Entendo que em outro ambiente não tornarei a errar. Não consigo explicar…

Bruno percebeu que a decisão de Julio era firme. Poderia, por algum outro motivo, abdicar dessa grande mudança, mas sentia que o amigo estava fugindo do seu passado: Ana. Ele não queria desistir dela. Pensava em dar uma nova chance. Temia, porém, uma nova frustração. Dessa forma, imaginar que daria certo o deixava mais feliz que ter a certeza do fracasso.

 

O que Bruno deve fazer?

1) Ligar para Ana, explicando a situação?
2) Convercer Julio a desistir da idéia de mudar de cidade?
3) Entender que é a melhor coisa a fazer e ajudá-lo se necessário for?

Como houve empate, prevalece a primeira opinião. E vai ser assim toda vez que isso ocorrer.

Até próxima segunda-feira.

Desamor – Parte X

Por Mateus Modesto | Publicado em Capítulos | 13/10/2008

2

No capitulo anterior, Julio desistiu de ir embora da festa e conversou com Ana. Confuso, não se estendeu na conversa, mas deixou claro que poderiam sair juntos, juntamente com Bruno e Luciana. No dia seguinte, Ana fez o convite.

Julio abriu um sorriso, mas depois ficou preocupado. Não sabia se realmente havia interesse de reatar o namoro com Ana. E não queria iludi-la. A mensagem que recebera vinha cheia de “mimos”. O que não cabia nesse momento.

Ele passou a manhã inteira pensando em como responder. “Aceitar ou não aceitar? Eis a questão!”, pensava defronte ao espelho do banheiro. Não era uma atitude simples. Nem muito difícil. Porém, qualquer uma implicava em uma reação desconfortante.

- “Sim, eu vou”. – falava consigo. – Ela imagina que eu a quero e fica me ligando o tempo inteiro. “Não vou”. Ela fica na dúvida e diz que estou brincando com seus sentimentos.
Ana havia conversado o mesmo assunto com todas as suas amigas. E todas reprovaram a sua ação – mandar a mensagem no dia seguinte. Entenderam como um desacordo – visto que ela não consultou ninguém – e uma declaração explícita de amor a ele – o que não cabia. Restou a elas organizarem um plano de salvação.

Primeiro passo: Instruíram-na que não poderia esboçar reação exagerada e comprometedora nas mensagens. Não poderia responder de imediato, muito menos com uma ligação. Mais de três linhas é carta.

- Aninha, nada de restaurante com pouca iluminação. Prefira um barzinho com muito barulho.
- Nem pense em cinema. Nem em teatro. Muito menos museu.
- Ah! Barzinho com som ao vivo não rola. Podem tocar uma música romântica, bater um clima e… você estraga tudo. Pode rolar só naquele momento, entendeu?!
- Entendi, entendi… – aparentemente nervosa.
Bruno ficou animado quando soube do encontro que teria com Luciana. Mal podia agüentar-se em pé. Fazia planos para um futuro muito próximo: viagens, cinemas, casamento, filhos. Ria como uma criança. Julio não aprovava tal reação.

- Lembre-se que sairei com Ana. Não sei se…
- Podem ser amigos. Você já a perdoou. O problema também é que você não quer sair com mais ninguém. O relacionamento acabou há… sei lá, seis meses?
- Oito.
- Oito meses! Fazemos assim. Saímos nós quatro. Eu convido um particular com Lu e você dá o fora nela. Combinado?

Julio não respondeu. Sua mente trabalhava com inúmeras possibilidades. Queria apenas sair daquela situação, sem se machucar novamente. Desejou não ter criado tudo aquilo. Apesar de estar na dúvida quanto a Ana. Afinal, passaram-se os meses e ela parecia ter mudado, além de estar mais bonita.

À tarde, pegou o celular e escreveu uma mensagem aceitando o convite. E ficou na expectativa.
Ana recebeu a mensagem sem euforia. Leu-a e, imediatamente, as recomendações das amigas vieram-lhe à memória. “Não pode, não faça, não aceite”. A confusão tomou-lhe por completa. Sozinha, desesperada, respondeu a ele dizendo que não poderia mais sair. Imaginou que Julio a ligaria pedindo explicações. A noite chegou e ela continuava a esperar o retorno. Entristecida, sentou-se ao pé da cama e começou a chorar.

 

O que deve acontecer agora?

1) Julio entender como um sinal e procurar acalmar o desenrolar das ações?
2) Ana ligar para Julio desculpando-se e marcar o encontro?
3) Ana esperar a ligação de Julio, mesmo que isso demore a acontecer?

Até próxima segunda-feira.

Desamor – Parte IX

Por Mateus Modesto | Publicado em Capítulos | 08/10/2008

2

No capítulo anterior, Julio e Bruno foram para um aniversário, sem saber que Ana, Nívea e Luciana estariam lá também. julio foi conversar com uma garota e esta era Ana, sua ex-namorada. Embaraçado com a situação, decidiu ir embora, levando Bruno, que paquerava Luciana.

Bruno lamentava a chance de conversar com Luciana, enquanto Julio questionava-se sobre sua ação com Ana. Sabia que agira deselegantemente, mas não queria encará-la outra vez. A decisão mais sensata, naquele momento, era sair dali.

- Explique-me o motivo ao menos.
- Depois.
- Agora!
- Ana.
- Que tem?
- Ela está aqui. Vamos.
- E…?

Descendo as escadas – Julio não quis esperar o elevador -, toda a situação foi reconstituída, com pormenores. Bruno deu uma gargalhada. E pediu desculpas.

- Só por isso quer ir para casa?
- Não.
- E por que então?

Julio não tinha outro motivo. Apenas não queria conversar com Ana. Temia o que poderia acontecer. Bruno convenceu-o a ir desculpar-se com ela, descrevendo inúmeros motivos de não se magoar uma linda mulher, ainda que ex-namorada.

- Você está realmente bêbado? – brincou.
Ana e Luciana estavam desoladas no sofá. Desprezaram a atitude de Julio. Falavam horrores dos homens, generalizando-os como insensíveis. Eram grosseiros, deselegantes, hostis, porcalhões, safados… Os adjetivos pareciam não ter fim. Até que os dois surgiram à porta, procurando-as. Ana agitou-se.

- Será que ele vem a mim?
- Creio que não. Deve ter vindo pegar uma bebida.
- Ele não bebe.

Julio entristeceu-se por não tê-la encontrado. Diante de tantas pessoas, não percebeu Ana dirigindo-se a ele. Bruno procurava por Luciana, mas temia que ela houvesse ido embora por conta de sua embriaguez. Respirou fundo.

Ana surgiu na frente de Julio, exibindo um belo sorriso. Ele olhou-a por completo. Seu coração bateu diferente. Era inegável a beleza e o charme dela. Parecia outra pessoa. Lamentou o fato de ela nunca ter se vestido daquela forma, nem ter mudado o visual quando namorados.

- Queria conversar contigo.

Luciana também apareceu para conversar com Bruno, mas ele tremeu e foi pegar uma bebida. Não sabia o que falar – seu estado não era dos melhores. E qualquer afirmação poderia ser usada contra ele. A possibilidade de dizer uma bobagem era infinitamente maior, e, com isso, estragar de vez a “relação” com ela.

Julio desculpou-se pela grosseria de minutos atrás. Não queria agir daquela forma. Foi por impulso, não esperava que fosse ela, não imaginava encontrá-la ali. Repetia a mesma coisa.

- Mas aquelas palavras foram verdadeiras?
- Quais? – fingindo-se de desentendido.
- “Vejo muitas coisas, mas nada que a ti se compare. Porque és, verdadeiramente, linda”…

Ele ficou nervoso. Não podia negar que ela estava linda. Mas não queria complicar-se. O nervosismo tomou-lhe o corpo. Suas mãos e testa começaram a suar. Precisou ir ao banheiro. Ana alegrou-se.

Enquanto isso, Luciana divertia-se com as trapalhadas de Bruno. Gaguejando e extremamente nervoso, a todo o momento complicava-se com suas falas. Declarou que gostava dela, que queria casar, que procurava um amor para a vida toda. Além disso, derrubava copos, salgadinhos e esbarrava-se em outras pessoas sempre que ela aproximava-se. Ele desejou estar em casa.

- Por que não ouvi Julio? – pensou.

Julio retornou do banheiro e despediu-se de Ana. A conversa havia sido longa demais. Ela poderia entender errado. Ainda que ele quisesse isso.

- Já? Pelo menos passamos de quinze minutos dessa vez.
- É…
- Queria convidar-te um dia para sairmos juntos. Eu, você, Bruno e Luciana.
- É só convidar.

Ela surpreendeu-se. Abriu um sorriso e ficou sem graça, ligeiramente vermelha. Decidiu ligar para ele algum dia. Ele concordou. E admitiu a veracidade aquelas palavras. Ela rasgou-se em felicidade.

No dia seguinte, Ana enviou uma mensagem de texto para o celular de Julio. Era o convite.

 

O que Julio deve fazer?

1) Fingir que nada recebeu?
2) Responder aceitando o convite?
3) Responder negando o convite?

Até próxima segunda-feira.

Desamor – Parte VIII

Por Mateus Modesto | Publicado em Capítulos | 29/09/2008

1

No capítulo anterior…

Bruno aceitou o convite de Luciana e foi sozinho para o museu. Mas foi para o local errado. Frustrado, acertou com Julio para irem a um aniversário. Mesmo Luciana convidando-o novamente, já que o primeiro encontro dera errado, ele optou em sair com o amigo.

Bruno já estava quase chegando ao encontro de Julio. Seria muito ruim desfazer-se do compromisso com ele para sair com outras pessoas. Mas ele queria ter uma chance com Luciana. Ela o estava procurando, e, cria, não era pretexto para aproximar Julio de Ana.

A dúvida era tamanha que pensou em desistir de tudo e ir para casa. Mas não podia fazer isso com elas. Muito menos com o amigo. Optou em seguir seu caminho. Afinal, já havia errado uma vez.

- Tem certeza? – questionou Luciana.
- Tenho. – ele não tinha.

Encontrou-se com Julio e explicou todo seu equívoco minutos antes. E falou do outro convite de Luciana.

- É. Elas estão planejando desde aquela noite.
- Mas, convenhamos, Ana está linda!
- Isso eu não posso negar. – com um sorriso de canto de boca.
- Então!
- Então o quê?
Ana quis desistir de ir para a festa. Estava tão produzida. Não valeria a pena sem Julio estar presente, como não esteve no museu.

- Mas, amiga, você só vai se divertir vendo-o? Não mesmo! – motivou Nívea.
- Mas eu o quero… O plano não está dando certo. Toda linda assim e ele ainda nem me viu.
- Menina, marcamos apenas um encontro. Lembra-se: cinco convites? Ainda temos mais quatro chances.
- Depois eu parto para outra?
- Para outro.

Ana ficou triste. Apesar de tudo o que ela havia feito, ainda esperava reatar o relacionamento com Julio. E orava, em pensamento, por isso. Apaixonava-se cada vez mais por ele.

- Vou fazê-lo o homem mais feliz! – abriu um lindo sorriso.
- Só até o casamento. Depois ele engorda, só quer ver futebol e tomar cerveja com os amigos. – brincou Luciana.
- Ele não bebe.
- Qual rua?

Julio e Bruno estavam perdidos. Haviam entrado em vinte ruas diferentes. Parado em mais de dez lugares para pedir informação. Tocado a campainha de mais de cinco apartamentos. Até encontrarem o local.

Parabenizaram Roberto, falaram com o pessoal mais chegado e ficaram mais próximos da mesa, comendo e bebendo. Julio experimentou um coquetel sem álcool. Bruno tentou uma bebida mais elaborada: um Negroni.

- De que é feito?
- Não sei. Mas sei que é muito boa. Quer dizer, vou provar agora.
- Primeira vez?
- Primeira vez.

Lá pelas onze horas, com o apartamento enchendo cada vez mais, Julio avistou uma linda garota. De costas, não reconheceu. Sabia que não era da faculdade ou alguma amiga mais próxima da turma. Conversou com Bruno para saber se ele a conhecia. Mas ele já estava bêbado.

- Guer gue eu a chabe?
- Não, não…

Julio pegou um coquetel de frutas e um bombom e foi até ela. Percebeu que estava sozinha. Nenhum homem, nenhuma mulher. Parou atrás dela, a meio metro, olhou-a totalmente: de vestido branco com um lindo laço rosa e um pequeno salto; cabelos curtos com mechas douradas; um lindo colar e brincos pequenos e charmosos. Ele respirou fundo.

- Ah! Por que apareceste e nada falaste, doce menina. Não és tu quem encanta este lugar? Vejo muitas coisas, mas nada que a ti se compare. Porque és, verdadeiramente, linda. Se eu fosse sábio o bastante, deixaria meu coração falar. E tu saberias que o que vejo é a mais bela formosura de todo o…

Ela se virou. Era Ana. Os dois se surpreenderam. E tremeram. Ele ficou estatelado. Não pela beleza, mas por ser quem era. Ela ficou apaixonada, diante de tão belas palavras. Admirou-o.

- Jardim?
- Oi?
- O final. Seria “jardim”?
- Como queira… – sem o sorriso no rosto.

Ele olhou para os lados. Todos se mantiveram do mesmo jeito. Nada perceberam.

- Mandaram entregar. – dando grosseiramente o bombom e a bebida. Preciso ir.
- Já?
- Levar Bruno. – saiu apressadamente.

Bruno estava conversando com Luciana. Julio cortou a conversa e convocou o amigo para ir embora. Ele disse “não”.

- Você pode nos dar licença?

Luciana saiu sem falar nada.

- Era Luciana.
- Certo. – sem dar importância. Precisamos ir.
- Mas era Luciana… “Minha querida Dulcinéia”!

 

O que deve acontecer?

 1) Bruno deve ir com o amigo?

2) Julio deve entender o amigo e ir sozinho?

3) Julio deve ir conversar com Ana?

 Até próxima segunda-feira.

Desamor – Parte VII

Por Mateus Modesto | Publicado em Capítulos | 22/09/2008

2

No capítulo anterior…

 

Ana e as amigas começaram o plano para reconquistar Julio. Mudaram o modo de se vestir e o cabelo. Na faculdade, encontraram com Bruno, amigo de Julio. Luciana, amiga de Ana, convidou-o para uma exposição. Mas Julio acredita que foi uma armação para ele encontrar-se com Ana, sua ex-namorada.

 

Julio não quis ir. E não havia o que Bruno falasse para que ele fosse convencido a mudar de opinião. Imaginava que era tudo plano de Ana.

 

- Rapaz, quem me convidou foi Lu-ci-a-na. Ele disse “gostaria” e não “gostaríamos”.

- Mas ela te convidou para que “eu” fosse. Elas estão interessadas em mim. Você é apenas uma isca.

 

Bruno ficou pensando a respeito.

 

- Luciana estava olhando para você naquele dia na casa de Fernanda, mas fui eu que conversei. Ela jogou a lábia dizendo que queria te ver por lá.

 

Bruno ficou intrigado. Começou a coçar a cabeça. O raciocínio de Julio fazia algum sentido.

 

Na quarta-feira, Bruno ficou a manhã inteira na indecisão de ir ou não. O evento começava às sete. Sabia que não contaria com o amigo. E desistiu de retomar a conversa com ele. Talvez fosse mal interpretado ou até humilhado e persuadido a deixar Luciana de lado.

 

A tarde passou devagar. Cada minuto era contado. Bruno estava entrando em desespero. A dúvida queimava seu corpo. A incerteza de ser tudo armação consumia suas energias. Resolver conversar com Deus.

 

- Se o Senhor estiver me ouvindo e for de sua vontade que eu vá para a exposição, que Luciana me ligue. Não, que Ana me ligue. Ana, Ana, Ana…

 

Dois minutos depois, a impaciência cobriu-lhe por inteiro. Observava o telefone a cada instante. Não desgrudava o olho. Até que ele tocou. Era Julio.

 

- Que vai fazer à noite?

- Vou… – ficou com vergonha de dizer que iria encontrar com Luciana. 

- Depois das nove.

- Provavelmente estarei… Não sei. Por quê?

- Vai haver uma comemoração de aniversário de um amigo. Roberto…

- É hoje? É hoje! Sei quem é Roberto… Eu te ligo. Até.

 

Mal desligou, o telefone voltou a tocar.

 

- Ana?

- Oi! Vamos para a exposição?

- Claro. Estava falando com Ju… Pensando em Lu… em vocês agorinha mesmo… Sete horas, não é!?

- Isso. Então, até lá.

 

Bruno desligou e deu um grito que todos do seu trabalho se assustaram. Envergonhado, comemorou moderadamente: agradeceu a Deus e deu um berro, além de beijar o celular incontáveis vezes – tudo em silêncio.

 

Já em casa, arrumou-se de terno e gravata. Deu um sorriso. Tirou o terno. Deu outro sorriso. Tirou a gravata e pôs o terno. Não sorriu. Tirou o terno e pôs a camisa para fora da calça. Sorriu e piscou para o espelho. Estava pronto.

 

Pontualmente chegou à exposição. Nem sinal das meninas. Ficou na entrada por um bom tempo. O relógio corria. A paciência também. Frustrado, ligou para Julio.

 

- Você vai sair da faculdade que horas?

- Umas oito e meia.

 

Dirigiu-se para lá.

 

No caminho, o telefone toca. Era Luciana.

 

- Por que não veio?

- Eu estive lá e ninguém apareceu. Olhei toda a galeria umas três vezes… Aliás, belas fotografias! Obrigado pelo convite! – ironizou.

- Não eram fotografias… Eram pinturas! Você estava em qual museu?

 

Foi aí que Bruno percebeu: estivera no museu errado.

 

- Eu, Ana e Nívea estamos indo para um aniversário. Quer ir?

 

 

 

O que Bruno deve fazer?

 

1) Seguir seu caminho e encontrar-se com Julio?

2) Aceitar o convite das meninas?

3) Desistir de tudo e ir para casa?

 

Como houve empate, prevalece a primeira opinião. E vai ser assim toda vez que isso ocorrer.

 

Até próxima segunda-feira.

 

Desamor – Parte VI

Por Mateus Modesto | Publicado em Capítulos | 15/09/2008

4

Ana foi para o quarto pensar no que poderia fazer para reconquistar Julio. Sabia que teria de ser paciente. Não ser esnobe nem procurá-lo desesperadamente. Nunca fizera isso: sempre fora paquerada.

 

Ela, deitada em sua cama, listou possíveis momentos nos quais poderia estar com ele – alguns casuais outros construídos por ela mesma: danceteria, sorveteria, shopping center, cinema, jogo de futebol no sábado… O plano começou a ser arquitetado detalhadamente. Mas sabia que sozinha não conseguiria. Ligou para umas amigas.

 

- Você falou que era “extremamente urgente”. Nem ajeitei direito meu cabelo. Menina!

- Eu também não. Minha maquiagem está horrível. Ainda bem que moro na mesma rua…

 

Ana explicou sua determinação em reconquistar seu grande amor. E pediu auxílio em cada momento.

 

- Pode contar comigo. – disse Beatriz – Vamos ensinar-te a como ser elegante nas cantadas, e não vulgar. Julio não vai saber quem é você…

 

Riram às gargalhadas.

 

O primeiro passo seria modificar o seu visual. Isso significava cortar e pintar o cabelo. E fazer limpeza de pele. E mudar a forma de se vestir: mais feminina e Jaqueline Kennedy possível. Ganhava, assim, uma personal stylist.

 

- Com roupas anos 20?

- Ela não é de 1920… – explicava Beatriz. Eu digo com aquela elegância, glamour, beleza… Homem de verdade quer mulher delicada, pele macia, perfumada… Descarado só quer as… Só pegar e largar…

 

Todas concordaram com um balançar de cabeças. Ana estava empolgada. As amigas, ainda mais. Faziam planos maiores, já imaginando o casamento e a despedida de solteira. Ana sorriu sem graça.

 

E o projeto tomou sua forma. Ana visitou o salão e inúmeras lojas. Braceletes, anéis, colares, passadeiras, lenços, blusas, sapatos, vestidos de todos os tipos e cores… outra garota. Ela mesma não se reconhecia. Era um modelo para cada ocasião – inclusive jantar especial. Ela sabia que nunca usaria aquilo em condições psicológicas normais. Só mesmo com a ajuda das amigas.

 

- E se ele não me notar?

- Meu amor, ele estaria cego! Talvez ele não queira você, mas não admitir que você está linda… – acalmava a estilista.

- Ana, outra coisa: ninguém quer uma caixa de Kopenhagen com Bis dentro. Você tem que ser amável, interessante, misteriosa, simpática… Uma gentleman!

 

Todas riram. Nívea não entendeu.

 

Ana já estava visualmente diferente. Cabelo Chanel, mais feminina, sorridente e, principalmente, agradável. Não muito diferente da antiga Ana, com exceções do cabelo e da amabilidade extrema. E o primeiro desafio seria em um seminário na faculdade onde Julio estudava. Nenhuma das meninas estava interessada, mas precisariam apresentá-la a ele.

 

As cinco amigas – Ana, Beatriz, Flávia, Luciana e Nívea – desfilavam pelos corredores da faculdade. Chamaram tanta a atenção dos homens quanto a das mulheres. Risonhas, elegantes, atraentes. Bruno, ao lado de Julio, comentou boquiaberto:

 

- De onde saíram?

- Não faço idéia, mas creio que são as amigas de Ana.

 

Eles estavam em um stand. Mas Bruno apenas visitava o amigo, já que não estudava ali. Portanto, foi persuadido por Julio a ir até as meninas. Meia hora depois, tremendo, a passos lentos e tortos, direcionou-se a elas.

 

- Oi. Vocês não são as amigas de Ana?

- Somos. E você é… Bruno!

 

Balançou a cabeça indicando sim. Estava admirado com tamanha beleza daquela garota.

 

- Você não está me reconhecendo?

 

Ele queria dizer sim, porém não fazia idéia de quem era.

 

- Luciana! Na apresentação de Davi, o menino de Fernanda, era eu quem…

 

Os olhos dele quase saltaram para fora. Seu coração parou. Olhou-a de cima a baixo. Deslumbrantemente atraente. Ficou afônico. E começou a suar. Quando descobriu que a loira era Ana, seu sangue parou de circular e não conseguia ouvir mais. “O mundo ficara de ponta-cabeça”, pensou. Nada fazia sentido. “Por quanto tempo fiquei fora?”.

 

- Ju-Julio está ali no stand…

- Não, não viemos vê-lo. Nívea queria visitar uma amiga. Estamos indo para uma festa.

 

Bruno entristeceu-se.

 

- Aparece na exposição do museu quarta-feira… Gostaria de te ver por lá. – disse Luciana.

 

Bruno apenas balançou a cabeça. As meninas sorriram e foram embora. Ele adiantou os passos para explicar a Julio quem eram as garotas. E, principalmente, sobre o “encontro”.

 

- Como assim, é jogada dela? – desesperou-se. Quem disse que Ana estará lá? E que me importa! Vamos!?

 

 

 

O que Julio deve fazer?

 

1) Ir com Bruno para a exposição?

2) Convencer Bruno a não ir?

3) Deixar Bruno ir sozinho?

 

Até segunda-feira.

Desamor – Parte V

Por Mateus Modesto | Publicado em Capítulos | 08/09/2008

4

Bruno relutou um pouco, mas acabou aceitando o convite do amigo e sentou-se. Os dois ficaram em silêncio. Julio não sabia o que falar. Ficou pensando em algo não idiota.

 

- Você gostava mesmo dela…

- Gostava!? – deu de ombros.

- Ela era bonita… muito bonita…

- Quer parar?

 

Julio não sabia realmente o que dizer. Queria que o amigo se abrisse, confessasse para sentir-se melhor. Iniciou um monólogo, falando do relacionamento dele com Ana. Pensou que poderia ajudar. Bruno acabou levantando-se.

 

- Ei! Espere…

- Não quero saber do seu relacionamento… não neste momento.

- Então me diga o que devo fazer para te ajudar.

- Maria foi uma garota muito especial em minha vida. Passamos bons momentos juntos, mas não deu. Chegou o dia em que tudo acabou. Tudo acaba! Relacionamentos têm um tempo de vida inimaginável: quando pensamos que vai ser eterno, está próximo do fim.

- Mas por que terminaram?

- Eu a amava. Não tenho vergonha de dizer isso. Não tenho, não tenho… Mas enquanto eu queria alguém que enchesse meus olhos e meu coração, ela só queria alguém que a enchesse de presentes e conforto.

- Não diga isso!

- Lembra-se quando fui demitido? Passei um aperto, tive que vender coisas para cobrir compromissos, tomar empréstimos… Ela ficou do meu lado? Péssimos cinco meses. Eu na luta, suando a camisa e ela… com… com… Até que eu descobri e terminamos.

- Oh! Não sabia disso…

- É. Mas tudo bem, eu já havia traído ela também. Mas eu estava bêbado.

- Mas isso não é desculpa…

- Eu sei. Fazemos muita besteira. Hoje me arrependo amargamente. Julio, hoje eu quero alguém que me complete. Esteja sempre comigo, seja um amor, compreensiva… É pedir muito?

- Príncipe encantado não é só para mulheres, não é mesmo?

 

Bruno não agüentou. Deu uma imensa gargalhada. Julio não entendeu. Ficou sem jeito e irritado.

 

- Eu não quero um príncipe!

 

Julio esboçou um sorriso sem graça. Fora mal interpretado.

 

- Eu também não quero…

 

Bruno não conseguiu parar de rir. Julio não ficou ali para ser ridicularizado. Levantou-se e foi embora.

 

- Varão, volte! – rindo mais alto.

- Vou para casa. Hoje foi cansativo.

 

Ana ainda gostava de Julio. E Fernanda havia percebido sua reação durante a visita que ele fizera com Bruno.

 

- Por que não explica a ele toda a situação?

- De novo? Ele já me perdoou. Mas disse que agora… ou nunca mais.

- Mas você ainda o ama?

- Sim… não… Que diferença faz? Eu tenho de esquecê-lo.

- Tente reconquistá-lo.

 

Ana não queria aquela conversa. Fernanda estava casada, o marido a amava, tudo era perfeito e muito lindo. Um conto romântico baiano. Extremamente melódico. Era uma realidade absurdamente diferente. Achava que não sairia nada de interessante dali. Estava enganada.

 

- Quando conheci meu marido, ele namorava outra menina. Eu me apaixonei de imediato. Como se meu coração tivesse pulado. Creio que meus olhos me denunciaram. Na época nem éramos cristãos. Trabalhávamos no mesmo setor. Quando soube que ele havia terminado o relacionamento, foi como se meu coração reacendesse a paixão…

- Para quê esse sorriso no rosto?

- Não consigo falar do meu amor sem sorrir…

- Sim. Adiante para a moral da história… – impaciente.

- Eu fiz com que ele me notasse. Conquistei-o, com sabedoria.

- Mas eu fiz uma grande besteira… Acha que consigo?

- Só saberá tentando…

 

 

 

O que Ana deve fazer?

 

1) Tomar a iniciativa e tentar reconquistar Julio?

2) Descansar e esperar por ele?

3) Encarar que não pode mais tê-lo e desistir?

 

Até segunda-feira.