Desamor – Parte IV
Por Mateus Modesto | Publicado em Capítulos | 01/09/2008
4
- Oxe! Você conhece Bruno de onde?
- Ele é ex-namorado de uma amiga. Maria. Você a conheceu, Julio!?
- Sinceramente… Ah! Lembro-me dela. Ela era uma morena baixa, cabelos longos, falava “quego um chego”…
Todos riram. Bruno não participou da conversa. Ficou sem graça, desviando o olhar e nitidamente sem jeito. Fernanda percebeu.
- Bom, mas isso é passado.
- É. Esqueçamos o passado. Pensemos no futuro. – disse Ana.
- E que o futuro seja bem diferente… – comentou Julio.
Havia mais algumas pessoas na casa, todas para visitar a criança. Fernanda apresentou cada uma. Entre parentes e amigos, Bruno notou uma garota. Ela não parava de observá-lo.
Julio fazia de tudo para não ficar com Ana. Mas ela insistia. Então, sentou-se ao lado da primeira garota sozinha e puxou conversa. Do início, era apenas como refúgio, porém, agradou-lhe estar com ela.
- Não nos apresentamos. Que grosseria a minha atitude! Prazer, Julio. – cheio de sorrisos.
- Luciana.
Conversaram por pouco mais de quinze minutos. Depois da apresentação do bebê e do lanche, Julio resolveu ir embora. Agradeceu a Ana pelo convite, felicitou Fernanda pela criança e saiu com Bruno. No meio do caminho, soube: conversara justamente com a garota que paquerava o amigo.
- Por que não me falou? – agitou-se Julio.
- De que maneira? Você colou nela…
- Sei lá! Sentava ao lado, tossia, não sei…
Bruno ficou vermelho. Não soube explicar o porquê.
- Podemos voltar.
- De maneira alguma! Não faça isso. – ligeiramente nervoso.
- Ela é bonita e te paquerava. Uau!
Bruno adiantou os passos, em sinal de desagrado. Julio ficou ao longe, analisando o amigo. Desde o fim do relacionamento com Maria, há alguns meses, ele não havia estado com outra garota. Não que soubesse. Preocupou-se.
- Até hoje você nada me contou sobre sua vida pós-Maria.
- Devemos saber escolher nossa parceira. Ser bonita ou simpática não é o bastante. – gesticulando. Certas coisas acontecem para que saibamos se a pessoa que está ao nosso lado realmente se importa conosco. “Eu sempre estarei contigo”. Ela sempre dizia. Não nas adversidades, não nas aflições. “Ah! Eu te amo tanto!” – lágrimas escorreram.
Julio não sabia o que fazer. Deixou o amigo à vontade. Não comentou nada. Olhava para os lados e coçava a cabeça. Ele o chamou para sentar-se num banco.
O que Bruno deve fazer?
1) Ficar sozinho e pedir para Julio ir embora?
2) Sentar-se e conversar?
3) Ir embora para casa?
Até segunda-feira.
